O pianista e compositor capixaba Hercules Gomes, 45, vive um período de forte internacionalização em sua carreira, impulsionado pelo lançamento de seu quinto álbum e por apresentações em palcos europeus e asiáticos.
Em junho, o músico integra a programação oficial do Klavier-Festival Ruhr, na Alemanha, considerado um dos principais encontros dedicados ao instrumento no mundo. Gomes fará um recital solo no dia 20 de junho no Salzlager da Kokerei Zollverein. O Salzlager da Kokerei Zollverein é um antigo galpão industrial, anteriormente utilizado para o armazenamento de sal, que foi transformado em espaço cultural, localizado na cidade de Essen, na Alemanha.
O repertório do show, batizado de “Brazilian Jazz Summer”, combina composições autorais e releituras de clássicos do choro assinados por Pixinguinha (1897-1973), Ernesto Nazareth (1863-1934) e Chiquinha Gonzaga (1847-1935).
A apresentação no festival alemão consolida a inserção do instrumentista no circuito europeu. Em março do ano passado, ele estreou no continente com o projeto instrumental “Bremen Solo”, focado em sua produção autoral. No mesmo período, foi selecionado pelo programa Conexões Internacionais Brasil-França, da Funarte, para uma apresentação no Clube do Choro de Paris.
Formado em música popular pela Unicamp, Gomes já atuou como solista ao lado de grupos sinfônicos expressivos, como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), a Orquestra Municipal de São Paulo e a Orquestra Filarmônica de Montevidéu. Seu trabalho é marcado pela fusão entre o rigor técnico da música de concerto e a pulsação rítmica do cancioneiro popular brasileiro.
Após os compromissos na Europa, o músico inicia em julho as gravações de “Concerto Seresteiro”, obra do compositor Radamés Gnattali (1906-1988). O registro será lançado pelo Selo Sesc e terá a regência do maestro Claudio Cruz à frente de uma orquestra de 54 músicos. A produção contará com as participações especiais dos violonistas de choro, como Alessandro Penezzi e Edmilson Capelupi, entre outros instrumentistas do gênero como Vitor Casagrande, Henrique Araújo, Rafael Toledo e Alfredo Castro.
Em agosto, Gomes volta aos palcos paulistas com shows de lançamento do disco “Bremen Solo” (2026), gravado ao vivo na Alemanha. As apresentações ocorrem nas unidades do Sesc Campinas e Sesc Belenzinho, em São Paulo.
Entre os meses de outubro e novembro, o instrumentista realiza uma turnê solo por cidades da China e do Japão. Na volta ao Brasil, em novembro, ele se apresenta no Espaço BNDES, no Rio de Janeiro, em concerto selecionado por meio de edital público da instituição de fomento.
Ao costurar erudição e síncope popular em uma rota que cruza a Europa e o Extremo Oriente, o pianista redesenha o mapa da música instrumental e firma seu nome como a voz definitiva do piano brasileiro contemporâneo.
Essa consagração global, contudo, é o topo de uma escalada hercúlea fundamentada em disciplina. Longe dos aplausos, sua trajetória é feita de inúmeras horas de estudo, superação de barreiras técnicas e resiliência diante dos desafios do mercado instrumental. Seu sucesso nos palcos do mundo coroa uma dedicação incansável, provando que o brilhantismo de sua música é indissociável de um esforço monumental.
A apresentação de Hercules Gomes, no dia 20 de junho, no Salzlager da Kokerei Zollverein, marcada para ter início às 18h30, antecede a de outro grande pianista brasileiro, o recifense Amaro Freitas. Este último é outro caso de êxito tanto no Brasil quanto no exterior, mas isso é assunto para outra hora.
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Autor: Folha








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