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Feira Naturebas tem produtores de vinho da França e Chile – 18/06/2026 – Isabelle Moreira Lima

Nem só de vinho (ainda que principalmente dele) vive a Feira Naturebas, maior evento do movimento natural na América Latina, realizada em São Paulo nos dias 27 e 28 de junho.

Entre os novos participantes confirmados estão brasileiros que levam seus meles de abelhas nativas, franceses que fazem bebidas fermentadas sem álcool, produtores de queijos gaúchos e de uma sidra que nasceu na serra da Mantiqueira.

Começando pela última, trata-se do primeiro projeto de produção de Lis Cereja, fundadora da feira e pioneira dos vinhos naturais no Brasil. Por 20 anos, comandou a Enoteca Saint VinSaint e defendeu produtores e a cultura natural como uma loba. Agora, junto ao marido Igor Sánchez, passa para o outro lado do balcão (ou melhor, para a sala de fermentação) e troca as uvas por maçãs.

Isso porque agora ela vive entre São Paulo e Minas e soube que o amigo Harry Grandberg, do sítio Miralua, tinha umas maçãs “sobrando”. Conversou com Fabrício Almeida, da também mantiqueirense cervejaria Zalaz, e juntos resolveram pôr tudo para fermentar.

O resultado é a Malum Sidra Natural, bebida elaborada por fermentação espontânea, sem aditivos e que, segundo Cereja, é “seca, mineral, profunda e refrescante” ao estilo das espanholas, mas mantendo o sotaque da Mantiqueira.

Do Rio Grande do Sul, vêm os queijos de leite cru de vaca Jersey da Tempo. Naturalmente, é um projeto da zona rural de Porto Alegre que nasceu em 2021 e produz receitas com mínima intervenção, como é regra na feira. Nesta queijaria, utiliza-se o soro-fermento próprio e as maturações são cuidadosas. Um charme extra é que a oferta dos diferentes queijos segue a regra da sazonalidade.

O mel de abelhas nativas vem da Ybyrarama, projeto dedicado à preservação das abelhas nativas sem ferrão e à produção de meles raros de origem brasileira.

Assunto quente no mundo da gastronomia, as bebidas sem álcool aparecem na Naturebas em destaque com a francesa Substance Drinks, projeto de Myrko Tépus e Nicolas de Groot, dois nomes ligados ao universo dos naturais e da gastronomia. Eles contam que a preocupação era criar produtos que oferecessem as mesmas complexidade aromática, textura e capacidade de harmonização encontradas nos vinhos. Por aqui, apresentarão bebidas de base botânica levemente gaseificadas, elaboradas por fermentação natural, sem aromatizantes ou outros aditivos.

Mas, como o vinho é o tema principal da feira (e desta coluna), vale destacar também os novos produtores confirmados, como um pequeno projeto de Bordeaux, região mais conhecida pelos grandes e elegantes châteaux. O Château Shuette (um trocadilho com “chouette”, que significa legal em francês) é tocado por um casal, Ian Hocking e Shu Min Ho, em Entre-Deux-Mers. Lá eles praticam a viticultura regenerativa com agrofloresta em seus vinhedos orgânicos, às margens do rio Dordogne, para fazer vinhos naturais como pét-nats, laranjas, rosés, clarets e tintos bem distantes das convenções bordalesas.

Outras joias da programação deste ano estarão no stand dos alemães Konni & Evi, que vêm de Saale-Unstrut, uma das zonas vitícolas mais antigas da Alemanha. O casal que toca o projeto se conheceu na escola de viticultura e, após trabalhar na Nova Zelândia e na Áustria, decidiu cultivar suas próprias vinhas orgânicas. Hoje, fazem vinhos vibrantes no terroir da antiga Alemanha Oriental.

Do Chile, a Viña González Bastías traz seus 200 anos de tradição no Maule e bebidas feitas de algumas das vinhas chilenas mais velhas da uva país —há plantas com 200 anos. São conhecidos por seu trabalho de preservação histórica e por bebidas que carregam autenticidade e identidade territorial, feitas por métodos ancestrais.

Uma boa notícia: ainda há ingressos para o domingo. Aos que forem, minhas dicas principais são beber muita água e levar uma mala de rodinhas. Quase tudo o que está na feira é vendido diretamente pelos produtores, com preço mais baixo que nas lojas. Vale a pena comprar, nem que seja para estocar para os próximos meses. Também sugiro focar nos produtores que ainda não têm importador brasileiro, um jeito de provar coisa diferente e inédita no país.


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Autor: Folha

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