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Cancelamento de suspensão de jogador dos EUA gera acusações

Estados Unidos e Bélgica se enfrentam a partir das 21 horas (horário de Brasília) desta segunda-feira (6) em Seattle, pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, e antes mesmo do apito inicial, a partida está gerando muita discussão, devido a acusações de interferência do presidente americano, Donald Trump.

No domingo (5), a Fifa anunciou que seu Comitê Disciplinar concedeu um indulto ao atacante americano Folarin Balogun, que havia sido expulso em partida da fase anterior contra a Bósnia-Herzegovina, após um pisão no tornozelo de um atleta da seleção europeia, Tarik Muharemovic.

“A aplicação da suspensão da partida fica suspensa por um período probatório de um ano”, anunciou a Fifa em comunicado. “Caso Folarin Balogun cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a suspensão será revogada e a sanção aplicada, sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração.”

Dessa forma, Balogun, artilheiro da seleção americana na Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, com três gols marcados até agora, poderá enfrentar os belgas hoje à noite.

Segundo órgãos de imprensa americanos, como a agência Associated Press, Trump teria telefonado para o presidente da Fifa e seu aliado, Gianni Infantino, após o jogo contra a Bósnia, para pedir que o cartão vermelho fosse revisto.

Neste domingo, sem confirmar que fez o telefonema, Trump agradeceu à Fifa pela decisão, dizendo que a entidade que rege o futebol mundial fez “o que era certo” e reverteu “uma grande injustiça”.

Segundo a agência EFE, o técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, defendeu a decisão da Fifa e considerou que “ser mais justo que isso é impossível”, porque “99,9%” das pessoas acreditam que o cartão vermelho foi “injusto”.

O técnico da seleção belga, Rudi Garcia, ironizou a atitude da Fifa. “Eu não sabia que, nos escritórios da Fifa, o dia 5 de julho equivalia ao 1º de abril na Europa”, declarou Garcia, citando o Dia da Mentira.

Por sua vez, a Associação Real de Futebol da Bélgica (RBFA) disse em comunicado que, “para salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do jogo limpo em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo da Fifa quanto em futuras edições do torneio”, estava “estudando todas as opções possíveis” para tentar reverter a decisão.

De acordo com a BBC, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, substituído por Infantino em 2016 após um escândalo de corrupção na federação mundial, afirmou que “o futebol nunca deve se tornar um palco para o poder político”, enquanto a Uefa, a confederação europeia de futebol, disse em nota que a suspensão automática para a partida seguinte após a expulsão de um jogador “não é uma opção discricionária”, mas sim “um princípio consagrado nos regulamentos”.

“Quando a segurança das regras deixa de ser garantida por seus guardiões, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é minada”, afirmou a Uefa, rival histórica da Fifa.

No X, o ex-deputado republicano Adam Kinzinger, crítico do presidente americano, escreveu que “até a Fifa está envolvida na corrupção da família criminosa Trump”. “Se os EUA vencerem a Copa, haverá sempre um asterisco. Com justiça ou não”, afirmou.

Autor: Gazeta do Povo

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