Houve um breve momento de tensão após a vitória da Inglaterra por 2 a 1 sobre a Noruega nas quartas de final da Copa do Mundo neste sábado (11), quando Jude Bellingham reagiu às críticas do técnico Thomas Tuchel.
“É, bem, tanto faz”, disse o meia-atacante ao saber que Tuchel havia descrito o desempenho da Inglaterra como “desleixado”, apesar da vitória na prorrogação.
Bellingham, cujos dois gols levaram a Inglaterra às semifinais, foi rápido em defender seus companheiros de equipe após mais uma noite extenuante em condições castigantes.
A troca de farpas ofereceu um vislumbre das perspectivas divergentes de um técnico exigente, que não está disposto a ignorar falhas na atuação da Inglaterra, e de um jogador estrela focado na resiliência que levou a equipe às semifinais.
Tuchel surpreendeu muitos com sua avaliação direta após a Inglaterra superar a Noruega no calor escaldante de Miami. Embora satisfeito por chegar às semifinais e cheio de elogios à mentalidade dos jogadores, o alemão disse estar insatisfeito com quase todos os aspectos da atuação.
“O resultado é fantástico. Estamos entre os quatro melhores. É incrível, mas não estou feliz com o desempenho”, disse Tuchel, descrevendo a Inglaterra como desleixada, propensa a erros e com sorte de ter avançado.
Bellingham, no entanto, viu os acontecimentos por uma ótica diferente.
O meio-campista do Real Madrid apontou para o calor extenuante e a qualidade do ataque norueguês, liderado por Erling Haaland e Martin Odegaard, sugerindo que a tarefa havia sido mais difícil do que o veredito pós-jogo de Tuchel indicava.
“Talvez ele não saiba o que é jogar naquelas condições contra Erling Haaland, Odegaard, [Antonio] Nusa, [Alexander] Sorloth”, disse Bellingham aos repórteres. “Não é um time fácil de enfrentar.”
Não é a primeira vez que atritos entre os dois se tornam públicos.
Tuchel causou controvérsia há pouco mais de um ano quando descreveu elementos do comportamento de Bellingham em campo como potencialmente “repulsivos” para alguns espectadores, ao discutir o temperamento explosivo do jogador.
O técnico da Inglaterra depois se desculpou, insistindo que a palavra havia sido usada sem intenção e que não havia crítica velada ao meio-campista.
Questionamentos também surgiram antes da Copa do Mundo sobre o papel de Bellingham, depois que Tuchel sugeriu que vagas em sua escalação titular não estavam garantidas, nem mesmo para os maiores nomes da Inglaterra.
No entanto, qualquer debate sobre a importância de Bellingham foi enfaticamente resolvido em campo, já que a Inglaterra não estaria se preparando para uma semifinal se não fosse pelo jogador de 23 anos.
Ele tem entregado repetidamente nos momentos decisivos, salvando sua equipe com dois gols tanto contra a Noruega quanto contra o México e produzindo o tipo de atuação que ressaltou seu status como um dos jogadores mais destacados do torneio.
E Tuchel, apesar de sua frustração com o desempenho geral da Inglaterra, foi inequívoco em seus elogios a Bellingham após a partida.
“Não preciso dizer mais nada. Ele faz isso em todos os jogos”, disse o técnico. “Classe mundial.”
A campanha da Inglaterra na Copa do Mundo continua com uma semifinal de peso contra a atual campeã, a Argentina, na quarta-feira, em Atlanta.
Times bem-sucedidos em torneios nem sempre precisam de harmonia perfeita. Precisam, no entanto, de jogadores capazes de decidir partidas quando tudo mais desmorona.
A Inglaterra tem um em Bellingham e, à medida que avança para as semifinais, isso importará mais do que qualquer desavença com seu técnico.
Autor: Folha








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