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O pequeno ajuste de posição que aumenta o orgasmo feminino – 15/07/2026 – Equilíbrio

Existe um problema que a ciência do sexo tenta resolver há décadas. Chama-se “diferença de orgasmo” e afeta principalmente casais heterossexuais.

Um estudo publicado em 2017 no periódico científico Archives of Sexual Behavior resumiu a questão com um dado difícil de ignorar: 95% dos homens heterossexuais relataram atingir o orgasmo regularmente durante o sexo. Entre as mulheres heterossexuais, esse número caiu para 65%. No entanto, entre as mulheres lésbicas essa porcentagem é de 86%.

Por quê? Parte da explicação pode estar relacionada em uma das posições mais comuns entre os casais: a “papai e mamãe”, que continua sendo um clássico no sexo heterossexual, embora também tenha a reputação de ser rotineira e monôtona.

Mas o que realmente chama a atenção não é o fato de ser entediante para alguns, mas, sim, que não parece ser particularmente eficaz para o prazer. Em um artigo da revista científica Psychology Today, o especialista em sexualidade Michael Castleman cita estudos que mostram que apenas uma em cada quatro mulheres atinge o orgasmo consistentemente na posição clássica, independentemente do tamanho do pênis ou da duração da relação.

A resposta, porém, tem mais a ver com anatomia. Nessa posição, o pênis raramente estimula diretamente o clitóris, o principal órgão associado ao orgasmo feminino. Se essa área recebe pouca fricção, é menos provável que o orgasmo seja alcançado apenas pela penetração.

Pequena mudança, grande diferença

Mas há boas notícias. Há quase 40 anos, diversos pesquisadores e terapeutas sexuais vêm discutindo um pequeno ajuste que modifica a mecânica da posição.

Essa mudança é conhecida como técnica de alinhamento coital, ou CAT (do inglês coital alignment technique). Seu apelido é consideravelmente menos elegante. Em inglês, é chamada de “ralar milho”, imagem que descreve surpreendentemente bem o movimento.

A técnica CAT não surgiu no TikTok nem em nenhum fórum da internet. Ela foi propagada pelo psicoterapeuta americano Edward Eichel em 1988 e, na época, causou grande alvoroço: artigos, um livro inteiro (The Perfect Fit, sem edição no Brasil) e uma onda de atenção da mídia que, segundo Castleman, desapareceu quase tão rápido quanto surgiu. Na década de 1990, era pouco mais que uma nota de rodapé na sexologia americana.

No entanto, o interesse científico não desapareceu completamente. Embora tenha deixado de receber atenção da mídia, a técnica continuou sendo abordada em diversos estudos.

Em um estudo realizado com mulheres que não conseguiam atingir o orgasmo usando a posição convencional, aquelas que aprenderam a técnica CAT aumentaram a frequência de seus orgasmos em 56%. Em comparação, entre as participantes que realizaram apenas exercícios de masturbação guiada, a melhora foi de 27%, de acordo com estudos citados por Castleman na Psychology Today.

Como se pratica a técnica

Na prática, a mudança é muito mais simples do que o nome sugere. Em vez de se posicionarem exatamente frente a frente, a pessoa que está por cima move o corpo alguns centímetros para a frente até que o peito fique aproximadamente na altura dos ombros da outra pessoa. Essa pequena mudança permite que a base do pênis roce no clitóris durante o movimento. E esse detalhe faz toda a diferença.

Em vez de buscar penetração repetida, a prioridade passa a ser manter o contato entre as pélvis por meio de um movimento mais curto, contínuo e quase circular, no qual a fricção assume o papel principal.

O terapeuta sexual Ian Kerner resume isso de forma simples para a revista Women’s Health. Uma penetração particularmente profunda não é fundamentalmente necessária. O importante, garante Kerner, é manter uma pressão constante no clitóris. Para facilitar esse contato, alguns especialistas recomendam colocar uma almofada sob os quadris da pessoa que está por baixo para melhorar o ângulo, uma sugestão que está de acordo com um pequeno estudo publicado na revista Sexologies, divulgada pelo portal científico IFLScience.

Nesse estudo, os autores mediram o fluxo sanguíneo para o clitóris em cinco posições diferentes e descobriram que a “papai e mamãe” com um travesseiro sob a pélvis produziu o maior aumento.

No entanto, no caso deste estudo, é importante não tirar conclusões precipitadas. Os próprios autores reconhecem limitações significativas. Apenas um casal heterossexual participou, portanto, os resultados não podem ser extrapolados para a população em geral. Além disso, os pesquisadores não mediram orgasmos. Eles analisaram apenas o fluxo sanguíneo como indicador de excitação.

Mesmo com essas limitações, a ideia subjacente está alinhada com o que outros estudos e especialistas sugerem: para muitas mulheres, a penetração por si só não proporciona a estimulação necessária para atingir o orgasmo.

Precisamente por esse motivo, a técnica de alinhamento coital não consiste em uma posição rígida, mas sim em adaptar o contato e o ângulo para promover essa estimulação. Ian Kerner explicou à revista Women’s Health que não existe uma única maneira correta de praticá-la. Em alguns casos, uma penetração superficial e um ângulo próximo a 90 graus em relação ao clitóris são suficientes. Em outros, uma penetração mais profunda funciona melhor.

Um pênis nem sempre é necessário

Além disso, a técnica não depende necessariamente de um pênis. Pode ser praticada com um arnês e também entre pessoas com vulva. Nesse caso, a sexóloga Gigi Engle sugere colocar uma coxa entre as pernas do parceiro para gerar fricção no osso púbico.

Especialistas acrescentam outros pequenos ajustes que podem fazer a diferença. Apertar as coxas para aumentar a pressão, envolver as pernas na cintura do parceiro para sincronizar os movimentos ou incorporar um anel vibratório são algumas delas.

E há uma recomendação que aparece em praticamente todos os guias: comunicação. Dizer o que funciona, o que não funciona e fazer ajustes conforme necessário –prestando atenção aos sinais do corpo durante o ato– geralmente é muito mais útil do que confiar que a outra pessoa adivinhe o que está acontecendo.

Cada corpo é diferente. Em última análise, a técnica CAT não é uma fórmula mágica, nem funciona da mesma forma para todos. A terapeuta Georgina Vass lembra, em entrevista ao portal Vice, que há pessoas nas quais simplesmente não funcionará, não importa quanta prática acumulem.

Nesses casos, é perfeitamente aceitável retornar à posição clássica e adicionar estimulação clitoriana manual. O interessante é que, após quase quatro décadas de estudos dispersos, a conclusão permanece a mesma. Às vezes, a diferença entre um ato sexual frustrante e um muito mais prazeroso não depende de tentar uma posição extravagante. Basta mover o corpo alguns centímetros.

Autor: Folha

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