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Brasil ignora sucesso de Scaloni e De la Fuente – 17/07/2026 – PVC

Luis de la Fuente e Lionel Scaloni são a antítese do que a Copa do Mundo preparou antes de seu início. Quatro dos cinco técnicos mais bem pagos por seleções nacionais eram todos de nacionalidades diferentes dos países que dirigiram.

Carlo Ancelotti no topo da lista (R$ 58 milhões anuais), Mauricio Pochettino em terceiro, Thomas Tuchel em quarto, Roberto Martínez em quinto.

A exceção era Julian Nagelsmann, alemão e segundo mais bem pago. Os três mais bem remunerados fizeram menos do que deles se esperava, incluindo Pochettino —os Estados Unidos queriam no mínimo as quartas-de-final.

Luis de la Fuente era chamado de “o cara da sub-20” quando foi contratado. Havia sido vice-campeão olímpico pela Espanha, em 2021, derrotado pelo Brasil, de André Jardine.

Depois da eliminação nas oitavas, no Qatar, De la Fuente substituiu Luis Enrique, badalado treinador três vezes campeão da Champions.

Scaloni assumiu como interino logo após a demissão de Jorge Sampaoli e do fracasso argentino na Copa da Rússia, 2018, também nas oitavas.

Conta a história que pediu que tirassem todos os penetras dos voos e concentrações da seleção. Quando teve a confirmação do presidente Claudio Tapia de que isto aconteceria, telefonou para Messi e lhe disse: “Conseguimos. O trabalho vai ser profissional. Mas preciso de você.”

Messi parecia disposto a renunciar. Respondeu: “Se vai ser assim, conte comigo”. A Argentina não ganhava títulos havia 28 anos, antes da Copa América no Maracanã, em 2021. Não vencia a Copa do Mundo fazia 36 anos, antes do Qatar.

Luis de la Fuente foi professor de Lionel Scaloni no curso para técnico de futebol da Federação Espanhola. No início da preparação, saía de carro de La Coruña, passava por Vigo para encontrar o amigo Eduardo Coudet e viajavam quatro horas de carro até Madri, para aulas de técnico.

Nem De la Fuente nem Scaloni foram treinadores de times de primeira divisão antes de assumirem suas seleções. Prepararam-se com lições teóricas.

De la Fuente foi lateral-esquerdo do Athletic Bilbao, bicampeão espanhol em 1983/1984. Scaloni, lateral-direito do Deportivo La Coruña, de Mauro Silva e Djalminha, vencedor da Liga em 2000.

Já se ouve no Brasil o burburinho de que o caminho de Argentina e Espanha é melhor do que trazer Ancelotti. Não se fará aqui profecias sobre o passado.

Há, sim, um bom debate sobre ter um técnico italiano na seleção e não entender por que o planejamento de um jogo contra a Noruega resulta em 34% de posse de bola.

Não se perca pela histeria. Ancelotti só entregou a bola nesse jogo e teve mais posse nos outros quatro. O Brasil teve 44% na final da Copa de 2002, contra a Alemanha, e foi campeão. Claro que deveria ser diferente contra a Noruega.

Esta Argentina teve mais tempo de bola no pé em quase todos os jogos, menos contra a Argélia. A Espanha teve superioridade em todas as suas partidas de Copas desde 2006. A última vez com menos “posesión del balón” aconteceu nas quartas-de-final de 2002, contra a Coreia do Sul!

Os espanhóis decidiram ter esta identidade. O Brasil decidiu ter um técnico com uma única qualidade: ser estrangeiro. Podia ser de qualquer lugar. E se fosse Jardine, depois de ganhar de De la Fuente a final olímpica de 2021?

Aquilo que chamamos de cultura do futebol brasileiro e é, na verdade, nosso analfabetismo, já o teria aniquilado. É o que nos mata todos os dias.


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Autor: Folha

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