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Bryan Johnson revela gastrite autoimune; entenda – 06/07/2026 – Equilíbrio e Saúde

O empresário americano Bryan Johnson, conhecido por suas tentativas extremas de rejuvenescimento, revelou nos últimos dias um diagnóstico de gastrite autoimune. “Meu estômago está devorando a si mesmo”, escreveu em suas redes sociais.

A doença é diferente da gastrite comum, segundo o gastroenterologista e endoscopista Fauze Maluf Filho, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Enquanto a gastrite comum costuma ter causas externas, a autoimune surge de uma falha do próprio organismo.

A gastrite é a inflamação da mucosa que reveste o estômago, verificada por biópsia, diz Maluf Filho, causada por diferentes fatores. O consumo abusivo de álcool e o uso de anti-inflamatórios podem provocá-la, assim como a infecção pela bactéria H.pylori, presente na maioria da população brasileira.

A gastrite autoimune tem uma origem diferente. Neste caso, o próprio sistema imunológico passa a produzir anticorpos contra a mucosa do estômago, como se ela fosse um corpo estranho ao organismo.

A reportagem ouviu o médico para entender como a doença se desenvolve, quais sintomas pode causar, como é diagnosticada e qual o tratamento disponível.

Como a doença se desenvolve

Na gastrite autoimune, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos contra a própria mucosa do estômago, como se ela fosse um corpo estranho. O mesmo tipo de reação ocorre em outras doenças, como tireoidite autoimune, artrite reumatoide e doença de Crohn.

A hipótese mais aceita para explicar o gatilho da doença, diz Maluf Filho, é uma infecção viral prévia. O organismo desenvolve imunidade contra o vírus e, depois que ele é eliminado, continua produzindo essa resposta, agora contra a mucosa gástrica, por semelhança entre os tecidos.

Johnson atribuiu o próprio diagnóstico a hábitos alimentares pouco saudáveis na infância e a um período de estresse intenso no início da vida adulta. Maluf Filho afirma que “não tem nenhuma base” para atribuir a doença a esses fatores.

Segundo o médico, alimentação inadequada e estresse podem causar desconforto e dor de estômago, mas isso não significa necessariamente que a mucosa esteja inflamada.

Quais os sintomas

Na maior parte dos casos, a gastrite autoimune não provoca sintomas. Quando aparecem, costumam ser indiretos, ligados a outras condições associadas à doença.

É comum que ela apareça em pacientes que já têm outras doenças autoimunes, como vitiligo e tireoidite. Outro sinal é uma anemia sem causa aparente, provocada por deficiência de vitamina B12.

Isso acontece, diz o médico, porque a absorção de vitamina B12 depende de uma substância chamada fator intrínseco, produzida pelas células do estômago. Se essas células são destruídas pela inflamação, a absorção da vitamina cai, o que pode levar a um tipo específico de anemia em estágios mais avançados da doença.

Como é diagnosticada

A gastrite, autoimune ou não, só é confirmada por biópsia. É possível ter dor de estômago sem inflamação da mucosa, assim como é possível ter a mucosa inflamada sem sentir nenhum sintoma.

No caso de Johnson, a suspeita só foi confirmada após uma endoscopia bidirecional com múltiplas biópsias, que apontou a doença em estágio inicial.

Qual o tratamento

Não existe cura, diz Maluf Filho. O acompanhamento consiste em responder aos sintomas, como repor vitamina B12, geralmente por injeção, e ferro, quando há deficiência. Também é recomendada endoscopia periódica, a cada dois ou três anos.

No passado, afirma o médico, chegou a se cogitar repor artificialmente o ácido que deixa de ser produzido pelo estômago. Mas, na prática, a pequena quantidade ainda produzida costuma ser suficiente para uma vida normal.

Quais os riscos

Pacientes com gastrite autoimune têm risco aumentado de desenvolver dois tipos de câncer gástrico, o adenocarcinoma, mais agressivo, e o tumor neuroendócrino, de comportamento mais indolente. Por isso a recomendação de endoscopias periódicas.

Maluf Filho reforça um alerta sobre os cânceres do aparelho digestivo de forma geral. Segundo ele, são doenças silenciosas, que costumam só apresentar sintomas em estágio avançado.

O médico recomenda que, a partir dos 40 anos, seja feita endoscopia digestiva alta periodicamente, da mesma forma que já existe o hábito de fazer mamografia, papanicolau ou exame de próstata. A partir dos 45 anos, recomenda algum teste para detecção de câncer colorretal.

Ele cita o teste de sangue oculto nas fezes por método imunológico, hoje oferecido pelo SUS, como uma alternativa acessível à colonoscopia, considerada mais invasiva e cara, mas ainda o exame mais definitivo disponível.

Autor: Folha

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