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Com deslize no ponto da carne, Parrillita é para petiscar – 23/07/2026 – Restaurantes


São Paulo


Crítica | SP
Parrillita Carnes y Algo Más
Três estrelas (bom)
Av. Lins de Vasconcelos, 988, Cambuci, região central. @parrillitabr

Parrilla não pode ser boa. Tem de ser muito boa. Porque é nela que a gente pensa quando bate o desejo de comer uma carne memorável. E porque ali os cortes vêm sozinhos no prato e custam caro. Então, se houver algum risco de o preparo ser apenas mediano, vale olhar para outras possibilidades do cardápio em busca de uma refeição saborosa e de custo-benefício mais amigável.

Foi assim no Parrillita Carnes y Algo Más, que fica no bairro do Cambuci, fora do burburinho gastronômico. Decidi visitá-lo num almoço de domingo. De casa até lá de carro foram 40 minutos. Foi o tempo que levamos para avançar do sexto para o segundo lugar em uma fila virtual —é possível entrar nessa espera por meio de um link, disponibilizado pelo restaurante em sua rede social.



Ancho do Parrillita Carnes y Algo Más


Priscila Pastre/Folhapress

Quando chegamos, a atendente se confundiu e disse que levaríamos outros 40 minutos para conseguir sentar, já que ela tinha uma turma grande para acomodar antes. O equívoco foi resolvido e logo ocupamos uma mesa pequena na calçada. Dali, deu para observar a diversidade do público que lotava o lugar. Ia de famílias com crianças a turmas de amigos desfilando roupas de grife.

Da parrilla saem cortes como ancho wagyu (R$ 220), assado de tira (R$ 195), fraldinha (R$ 125) e ancho (R$ 115). Optei por este último, tradicionalmente famoso pelo marmoreio e suculência. À parte, pedi a couve-flor com molho romesco (R$ 48).

A carne não estava especialmente saborosa ou macia, e o interior revelava que assou de forma desigual. O acompanhamento também deixou a desejar. Tinha imaginado uma couve-flor de textura firme com um toque de brasa. Mas ela veio insossa, cozida demais e sem nenhuma crocância. Rodeada por
molho romesco, o branco da hortaliça contrastava com o vermelho vibrante da receita espanhola à base de pimentões vermelhos e tomate. Um prato bonito para as redes sociais.

Então decidi apostar no hambúrguer, que tinha sido muito bem recomendado, mas o garçom avisou que tinha acabado. Enquanto decidia o que colocar no lugar, pedi a batata frita rejilla à provençal (R$ 38) para beliscar. Feita com alho e salsinha e servida com a boa maionese da casa, é aquela que vem num formato que parece uma redinha. Crocante por fora e farinhenta por dentro, fez coro aos pratos —mais indicados para fotografar e postar do que para degustar.

Finalmente decidi pelo choripán (R$ 35), sanduíche de chorizo num ótimo pão de casca crocante e com um molho que estava mais para um vinagrete do que para o esperado chimichurri.

Saborosa, dava para perceber que a linguiça era artesanal e feita com bons ingredientes. Foi o melhor pedido da tarde.

Quando a equação inclui pontos a acertar no atendimento, falhas no ponto da carne e falta de um dos itens carros-chefe do restaurante em pleno almoço de fim de semana, talvez seja melhor optar pelo “algo más” sugerido no nome da casa.

Neste caso, ele se materializou nas interessantes empanadas, que podem ser pedidas fritas ou assadas, preparadas numa cozinha que deixa a bela produção à vista no fundo do salão. Entre os sabores, há opções como a de ossobuco e a de queijo e cebola (R$ 18 cada).

Agora, se o desejo for por uma carne memorável grelhada no método tradicional argentino, vale ficar atento às outras parrillas que têm pipocado pela cidade num movimento que lembra a onda de restaurantes de sushi e pizzarias napolitanas. Alternativas não faltam.

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Autor: Folha

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