São Paulo
Após mais de dois anos longe das cozinhas e salões de restaurantes, o chef italiano Rodolfo de Santis retorna ao Itaim Bibi, bairro de São Paulo onde construiu sua carreira no Brasil. Ali, a novidade é a Santino Trattoria, aberta em 14 de julho em um casarão de esquina com a intenção de ser o projeto mais pessoal do cozinheiro —que fundou uma série de casas, entre elas o Nino Cucina.
A começar pelo nome, com base no apelido que Santis recebeu da família. A descrição da casa em sua página no Instagram também é direta. “Vera e semplice cucina di Santino”, ou seja, “a verdadeira e simples cozinha de Santino”.

Salão chamado de garden é um dos três ambientes da Santino Trattoria. O ambiemte tem teto de vidro e iluminação natural
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Bruno Minnemann/Divulgação Santino Trattoria
A proposta é servir pratos clássicos italianos, muitos já característicos de seu trabalho na cozinha, como a burrata assada com tomate e manjericão (R$ 65), o espaguete à carbonara (R$ 69) e o cacio e pepe (R$ 73). Também tem novidades, a exemplo do tonnarelli (R$ 69), massa longa acompanhada de tomate San Marzano —vindo da Itália e queridinho dos chefs—, linguiça, pimenta, nduja e queijo pecorino.
São 24 entradas e pratos principais, além da oferta de salumeria e as sobremesas. “A ideia é trabalhar com cardápio tradicional e também ser uma casa onde eu consiga me conectar com minha raiz de cozinha, minha criatividade”, afirma o chef.
Os pratos da Santino são preparados com ingredientes feitos no local —de lá saem massas frescas, molhos, pães, linguiças, mortadela, pancetta e guanciale. Os embutidos, inclusive, ficam expostos ao público, em câmara fria no salão principal do novo restaurante.
O trabalho artesanal foi inspirado no tempo em que Santis passou longe dos restaurantes.
Após deixar a operação dos endereços do grupo que comandava, o chef comprou uma fazenda em São José dos Campos. Por lá, tem horta, criação de porcos, peixes, galinhas e bois, que alimentam a família quando vão para o campo. “Isso te conecta com algo que todo cozinheiro deveria passar, de conexão com a comida.”
Santis é natural de uma pequena cidade no sul da Itália. Trabalhou em restaurantes estrelados em três países antes de chegar ao Brasil, em 2011. Aqui, cozinhou em casas como Biondi e Domenico, ambas extintas, e no Tappo, região central da capital paulista.
O Nino Cucina veio depois. Aberto em 2015, o primeiro restaurante de Santis também tinha menu com clássicos italianos. Ganhou filiais em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, além de uma versão para shoppings chamada Ninetto.
Menos de dez anos depois, Santis havia aberto 29 endereços pelo Brasil. Foi quando decidiu sair.
Em 2024, as casas passaram para a gestão do grupo Alife Nino, dono dos bares Tatu Bola e Boa Praça, com menu do chef italiano Marco Renzetti, também à frente do Fame Osteria.
Fora da operação, Santis começou a planejar o novo restaurante. “Fiquei dois anos procurando o lugar certo”, afirma ele. A casa de esquina onde fica a Santino Trattoria é dividida em três ambientes, com mesas para grupos, sofás em veludo, plantas e decoração em madeira.
A ideia, segundo Santis, é que o espaço seja aconchegante e um ponto de encontro constante, aberto sempre que o cliente precisar. Por enquanto, funciona de segunda a sábado para almoço e jantar e, aos domingos, apenas durante o dia. A casa também marca a volta de Santis à cozinha e ao salão.
O requinte do novo espaço, notável no pé-direito alto e nos pratos pintados à mão, foi necessário para acompanhar o mercado de restaurantes de São Paulo, que vem mudando com estabelecimentos gastronômicos de altíssimo investimento, afirma o chef.
No total, foram investidos R$ 7 milhões na tratoria. “Eu precisava de uma casa competitiva”, afirma ele.
Em contraste com as cozinhas por onde passou, com filiais em diferentes estados do Brasil, a Santino Trattoria foi criada para ser um filho único. “Essa em particular não quero replicar”, conta Santis.
Santino Trattoria
R. Adolfo Tabacow, 173, Itaim Bibi, região oeste. @santino.trattoria
Autor: Folha








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