sexta-feira, setembro 25, 2026
13.4 C
Pinhais

Como a guerra cultural adoece as famílias

Todo mundo tem uma história semelhante para contar, já se tornou um clichê. O almoço de domingo, a ceia de Natal ou a celebração de um aniversário estragados quando se começa a falar de política. Em poucos minutos, degenera em um campo de batalha verbal que termina em rompimentos muitas vezes definitivos, com famílias fraturadas estocando ressentimentos.

Onde antes residiam o afeto e a partilha, passa a vigorar um policiamento tenso de vocabulário e visões de mundo. A sensação generalizada é a de que a política, transformada em uma espécie de religião secular e dogmática, sequestrou a espontaneidade e minou os relacionamentos.

É exatamente essa chaga que o cineasta polonês Jan Komasa expõe em seu suspense distópico Anniversary (Mudança Radical, na tradução feita no Brasil), disponível recentemente no país pela Prime. No filme, a festa de 25 anos de casamento dos protagonistas Paul e Ellen Taylor serve como o marco inicial de uma derrocada familiar assustadora.

Ao confinar o colapso de uma nação inteira ao microcosmo de um lar, Komasa entrega uma alegoria angustiante sobre o nosso tempo: a guerra cultural é como um vírus cuja força invasiva só é percebida quando o paciente está doente. Esse retrato do contágio ideológico e consequente colapso moral já estava presente nos trabalhos anteriores do diretor, como Corpus Christi (2019), indicado ao Oscar, e Rede de Ódio (2020).