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“Coro do Papa” tem Brasil como destino

O ano era 2013 e, no dia de Corpus Christi, em Roma, e a primeira missa celebrada pelo Papa Francisco durava mais de uma hora. Entre a multidão que lotava a Praça São Pedro, uma mulher brasileira de 60 anos permanecia em pé havia oitenta minutos — sem nunca ter praticado a fé católica. Quando a cerimônia terminou, ela disse não ter sentido o tempo passar. Saiu leve.

O que a fez esquecer o cansaço e a duração da missa não foi a liturgia em si, e sim o canto que a acompanhava: o repertório executado pela Cappella Musicale Pontificia Sistina, o “coro do Papa”, com origens que remontam aos séculos VI e VII e reorganizado em sua forma atual no ano de 1471, sob o papa Sisto IV.

Se a música sacra é capaz de atravessar a barreira da fé e comover quem nunca ouviu um Kyrie (canto no início da missa que invoca a misericórdia do Senhor) na vida, o que ela representa para quem cresceu dentro da tradição católica? É o que o Brasil está descobrindo.

Pela primeira vez, o “coro do Papa” desembarca na América Latina e o país escolhido para a estreia é o Brasil. A turnê passa por Campinas, Curitiba e termina nesta terça-feira (14) em São Paulo, na Sala São Paulo, em um roteiro que promete elevar o interesse por um patrimônio musical de mais de mil anos.