Para muita gente, a resenha do domingo não é mais sobre a rodada do futebol.
É sobre a corrida do dia. Das maratonas que acontecem às centenas pelo Brasil e pelo mundo às provas de distâncias mais modestas.
Enquanto neste domingo (24) eu corria uma mara em Calgary, no Canadá, prova organizada desde 1963, vários conterrâneos estavam em lugares como Cidade do Cabo, na África do Sul, e Lima, no Peru.
Ali corriam provas de 42,2 km que recentemente ganharam nova camada de fetiche. No Cabo, mara que deve se tornar etapa da World Marathon Majors já em 2027, havia a disputa mundial de faixas etárias, e brasileiros de várias idades, como a uberabense Anamélia Tannus, 66, estavam lá. Seu conterrâneo, o interminável Nilson Lima, só não embarcou por, acredite, falta de páginas em branco em seu passaporte.
O Majors é o mais badalado circuito de provas do mundo, que contém, entre outras, Boston, Nova York, Berlim e Londres. O queniano Eliud Kipchogue foi uma das atrações do domingo na África do Sul, ele que agora está, pode-se dizer, hors-concours, celebrando sua retirada dos pódios.
Kipchogue vem ao Brasil para promover –e correr– a mara New Balance de Porto Alegre, em julho. No ano passado, o vencedor foi o brasileiro Johnatas Cruz, com o tempo de 2h12m45s. Antes de virar do alto rendimento, Johnatas trabalhava como coletor de lixo.
Lima, por sua vez, esteve “busy” de brasileiros por ser etapa do circuito “hermano” de majors, criado à semelhança do mundial, com provas ainda em Buenos Aires, Montevidéu, Assunção e Brasília.
Costuma-se falar que a corrida é o esporte mais democrático que há, por poder ser praticado em qualquer lugar e por exigir investimento mínimo. Mas participar de provas, especialmente fora do Brasil, é algo fora da realidade para, suponho, grande parte dos leitores desta Folha, que dizer então da tigrada de modo geral.
Aí me incluo: eu fui ao Canadá num combo que deverá trazer reportagens de turismo para a Folha, com boa parte das despesas bancada por organizações canadenses.
Recomendo correr em Calgary e outros destinos, digamos, alternativos, especialmente se você saliva com as provas da Majors, mas bate na trave quando tenta se inscrever para Nova York, Londres ou Berlim.
Calgary, além de tudo, está a meros 130 km de Banff, um destino impressionante, em que as montanhas nevadas são tantas e tão próximas da cidade –ou da estrada principal– que em dado momento o maravilhamento de tão intenso evanesce e, saturados de beleza, a gente começa a se sentir como quem sabe o vendedor de biscoito Globo diante de seu público nas areias do Rio.
Não lembro ter visto cenários de montanha mais bonitos, um negócio pau a pau com o norte da Argentina.
Mas estou a digressar. Conversa boa sobre corrida mesmo quem vive aos domingos é, por exemplo, a enfermeira Tamires Oliveira, 35, que bate ponto nas provas de 5K de São Paulo. Ela se deixou contaminar pela atividade, como fizeram outros 2 milhões de brasileiros só em 2025, segundo dados de estudo produzido pela Olympikus.
Neste domingo (24), ela esteve na 4ª Corrida da Enfermagem, com largada no Obelisco do parque Ibirapuera, e arregimentou um grupo de dez pessoas –cinco delas, iniciantes em provas. A resenha foi forte lá na Sul.
O jornalista viajou a convite de Air Canada, VIA Rail Canada e Calgary Tourism
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Autor: Folha








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