quarta-feira, agosto 5, 2026
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crise para caminhoneiros no Paraná

O aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros provocou uma queda no volume de cargas em agosto de 2026. A retração econômica atinge diretamente os caminhoneiros autônomos no Paraná, que somam mais de 50 mil profissionais. Com menos mercadorias para transportar, como madeira e autopeças, a disputa por fretes aumentou, forçando motoristas a aceitarem valores abaixo do custo.

Por que o preço do frete caiu se os custos continuam altos?

A explicação está na lei da oferta e procura. Com a redução das exportações para o mercado americano, há menos carga disponível nos portos e indústrias. Como o número de caminhões continua o mesmo, a concorrência entre os motoristas aumenta. Para não ficarem parados e sem renda, muitos profissionais acabam aceitando fretes abaixo do piso mínimo estipulado por lei, assumindo sozinhos prejuízos com combustível e manutenção.

Quais são os principais riscos para os caminhoneiros autônomos hoje?

O maior perigo atual é o chamado contrato verbal ou ‘boca a boca’. Em momentos de crise, a pressa para fechar um serviço faz com que muitos motoristas iniciem viagens sem documentação formal ou adiantamentos. Especialistas alertam que, sem a confirmação do valor, o Código Identificador da Operação de Transportes (Ciot) e o Vale-Pedágio em mãos, o transportador fica vulnerável a calotes e descontos indevidos por avarias não comprovadas.

Como a falta de exportação impacta o trânsito nas rodovias paranaenses?

O Paraná enfrenta um gargalo logístico, especialmente no Porto de Paranaguá. Quando uma carga de exportação é cancelada ou atrasa devido à queda na demanda internacional, os caminhões ficam parados em locais como o Contorno Leste e o Contorno Sul, aguardando uma definição. Além de gerar insegurança, esse tempo de espera raramente é indenizado pelas empresas como deveria ser, gerando o prejuízo da estadia ociosa.