Nesta sexta-feira (24), Estêvão completou 19 anos de idade. Tomara que tenha sido um aniversário feliz e que ele tenha chances de ir à Copa. Até o momento em que esta coluna foi escrita, nem o Chelsea nem o jogador se posicionaram oficialmente sobre a extensão da lesão muscular que ele sofreu na partida contra o Manchester United, no sábado (18).
O site The Athletic foi o primeiro a noticiar que seria de grau 4, a mais séria, o que muito provavelmente o tiraria do Mundial. O treinador interino do clube confirmou que ele está fora até o fim da temporada, o que não diz muito, porque ela acaba em maio.
Seria um baque para a seleção brasileira. Estêvão é o artilheiro da era Carlo Ancelotti. Presente e futuro do time. Talentoso, simpático e humilde.
Mesmo sem saber o que houve e se Estêvão vai mesmo tentar um tratamento conservador, a possibilidade de uma vaga no ataque ser aberta acendeu o debate sobre se o espaço deveria ser ocupado por Neymar.
Parece que hoje, no Brasil, há uma guerra entre os que não querem o camisa dez do Santos na Copa de jeito nenhum e os que o defendem a qualquer custo. No meio, estão posicionamentos ponderados de jornalistas esportivos e torcedores.
O mesmo The Athletic fez uma bela reportagem sobre o tema intitulada “A lesão de Estêvão abre a porta para Neymar?”. O autor defende que não há argumentos na parte física para a inclusão dele e é difícil entender por que o debate segue acalorado. Diz que, recentemente, “a única coisa consistente sobre Neymar é sua inconsistência.”
Não acho coincidência uma pesquisa do Datafolha revelar que 54% dos brasileiros não têm interesse na Copa, percentual mais alto desde 1994. A seleção tem jogadores talentosos, mas chega ao Mundial sob certa desconfiança. O treinador é um dos melhores do planeta, mas não teve tempo suficiente. Pesam a ausência de um título mundial há 24 anos e, ainda, a mistura de esporte com política.
Anos atrás, um então chefe me disse: “Marina, brasileiro não gosta de esporte, gosta de ganhar”. É assim que defensores ferrenhos de Neymar se comportam. Não importa se ele bate-boca com torcedores, demonstra desequilíbro emocional, não joga em alto nível há anos. Eles acreditam que, se existe a possibilidade, por menor que seja, de que em um lance apenas, ele talvez, apenas talvez, ajude a ganhar um jogo ou a chegar mais perto do título, é preciso convocá-lo de qualquer jeito. Para essas pessoas, Neymar é visto como um salvador imaginário.
Ancelotti tem experiência e moral suficientes para ser respeitado qualquer que seja sua decisão na convocação para a Copa, em 18 de maio. No momento, a inclusão de Neymar parece pouco provável.
Nesta semana, a rainha Elizabeth 2ª faria cem anos de idade. Discutiu-se aqui na Inglaterra como a monarca representava para os britânicos a ideia de estabilidade, de orgulho do país, e como hoje eles vivem uma crise de identidade nacional com a família real cercada por escândalos –com os casos Andrew e Harry– e um rei que não é tão popular. A data resgatou memórias de um tempo que não existe mais.
É preciso olhar para a frente. Torcer a qualquer custo por Neymar na Copa, neste momento, é viver apenas do passado.
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Autor: Folha








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