Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, é o primeiro distrito da capital a entrar em situação de epidemia de dengue em 2026. O local atingiu o coeficiente de incidência de 323 casos por 100 mil habitantes, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde. Os dados são provisórios, até 15 de maio.
Acima de 300, o coeficiente indica que há uma alta incidência de dengue na região. Para chegar a ele, multiplica-se por 100 mil o número de novos casos e divide-se pelo total da população da área em questão. O indicador mostra o risco de os moradores ficarem doentes e a probabilidade de novas infecções.
A dengue também cresce em Cachoeirinha (233,4) e Guaianases (205,1), nas regiões norte e leste da cidade, respectivamente. Ao todo, a capital tem 96 distritos. Destes, 84 estão com a incidência baixa e 11 média. No município, a taxa é de 65,3 casos por 100 mil habitantes.
Em número de casos totais de dengue, Cidade Tiradentes tem 783, Cachoeirinha, 345, e Guaianases, 229. A cidade de São Paulo contabiliza 7.841 infecções confirmadas e duas mortes.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que nos três distritos foram feitas mais de 440 mil ações de prevenção e combate à dengue desde janeiro. A pasta também apontou queda no número de novos casos nas últimas semanas.
A transmissão da doença em 2025 foi mais intensa se comparada a 2026.
No mesmo período do ano passado, Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, era o distrito com maior incidência, com 1.057,5 casos por 100 mil habitantes. A capital contabilizava na época 46.774 casos (389,6 por 100 mil habitantes) e 45 distritos em situação de epidemia.
Matheus Polly, médico do Departamento de Medicina Tropical e Infectologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), diz que áreas periféricas da cidade têm cenários mais propícios à proliferação do mosquito Aedes Aegypti —transmissor da dengue, zika e chikungunya— e menos acesso à prevenção e ao tratamento.
“É uma região mais favorecida para a reprodução do mosquito. Local com grande concentração de pessoas em ambientes de maior vulnerabilidade tem mais disponibilidade de criadouro do Aedes aegypti. Com muitos mosquitos e muitas pessoas doentes, a possibilidade de um indivíduo com dengue ser picado é maior. Aumenta a chance de transmissão entre as pessoas”, diz o especialista.
Ele afirma que, em locais com menos acesso à saúde, o diagnóstico tende a ser mais tardio. “Com isso, a ação do poder público é mais lenta. Demora mais para perceber o problema e iniciar a prevenção. O acesso dos agentes de saúde aos criadouros é mais difícil, porque há muito depósito abandonado, ferro velho e terreno baldio”, afirma.
Segundo a Secretaria da Saúde, a ocorrência da dengue resulta da interação entre condições ambientais, circulação viral, densidade vetorial e fatores demográficos, justificando as diferenças espaciais e temporais observadas na incidência da doença entre os distritos do município ao longo dos anos.
Vacinação
No último dia 30, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgou a ampliação do público-alvo da vacinação contra a dengue do Butantan-DV para pessoas com 59 anos. Trabalhadores da saúde que atuam em estabelecimentos públicos e privados também podem tomar o imunizante brasileiro desenvolvido pelo Instituto Butantan.
O imunizante de dose única fabricado pelo Instituto Butantan foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em novembro de 2025 para a população de 12 a 59 anos.
Adolescentes entre 10 e 14 anos também estão elegíveis para a vacinação contra a dengue, com a vacina QDenga, em esquema de duas doses. A campanha para essa faixa etária começou em abril de 2024. As vacinas estão disponíveis nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde ), de segunda a sexta, das 7h às 19h, e nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs Integradas, incluindo sábados e feriados, no mesmo horário.
Autor: Folha








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