A falta de previsibilidade sobre os impostos que serão cobrados a partir de 2027 e a possibilidade de o Brasil ter o maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo aumentam os desafios para os empresários brasileiros. O cenário preocupa especialmente os pequenos negócios, que precisam planejar custos, preços e investimentos antes da definição de todas as alíquotas do novo sistema tributário, afirmou o empresário e influenciador financeiro Thiago Nigro, conhecido como Primo Rico, em entrevista concedida nesta quinta-feira (29), durante a ABF Con 2026, em Comandatuba, na Bahia.
O ambiente econômico brasileiro também pesa sobre quem pretende empreender. Nigro resumiu o cenário como uma combinação de fatores que pressiona os negócios, da inflação aos custos operacionais e à tributação. “Por uma série de coisas, aumento de custos, inflação, tributos, é realmente desesperador empreender no Brasil”, afirmou.
O Tribunal de Contas da União (TCU) calculou uma alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá o PIS e a Cofins a partir de 2027. A referência ainda precisa ser fixada pelo Senado, enquanto a alíquota definitiva do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, também não está estabelecida. Uma estimativa anterior do IVA dual apontava uma alíquota de 27,91%. A combinação da referência mais recente da CBS com a projeção de 18,7% para o IBS resultaria em aproximadamente 30%, percentual que ainda não pode ser tratado como definitivo. Analistas de mercado, no entanto, prevêem a possibilidade de chegar até 34%.
A incerteza dificulta a elaboração dos orçamentos empresariais para 2027. Empresas precisam projetar despesas, negociar contratos e definir preços sem conhecer todos os parâmetros que determinarão a tributação de suas operações. O efeito financeiro será diferente conforme o setor, o regime tributário e a possibilidade de aproveitamento de créditos.
Na avaliação de Nigro, os pequenos empreendedores estão entre os mais vulneráveis às mudanças, porque muitos já enfrentam dificuldades para manter suas operações. A adaptação às novas regras pode representar obstáculos adicionais para negócios com menor capacidade financeira e administrativa.
Ao mesmo tempo, o empresário vê potencial de ganho de produtividade na simplificação do sistema tributário. Ele afirma que a complexidade atual consome um volume significativo de tempo das empresas com obrigações fiscais.
“Hoje, o empresário passa, se não me engano, por 1.500 horas por ano só para calcular os impostos que a gente teria que pagar”, afirmou Nigro.
Para ele, a redução da burocracia permitiria que os empresários dedicassem mais tempo a atividades diretamente ligadas ao desenvolvimento dos negócios.
“A gente teria muito tempo sendo usado em algo que agrega pouco valor para as empresas”, disse.
A transição para o novo sistema exigirá atenção não apenas às alíquotas, mas também às diferenças de impacto entre setores e portes de empresas. No franchising, por exemplo, a previsibilidade tributária será importante para decisões sobre abertura de unidades, expansão das redes e formação de preços.
Quem é Thiago Nigro
Thiago Nigro é empresário, investidor e criador do canal de educação financeira O Primo Rico. Fundador do Grupo Primo, é autor do livro Do Mil ao Milhão: Sem Cortar o Cafezinho.
*O jornalista viajou a convite da ABF Con 2026
Autor: Gazeta do Povo








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