Alexander “Sasha” Zverev é o quarto alemão a chegar ao topo do ranking do tênis mundial e apenas o segundo entre os homens. A conquista se consolidou matematicamente nesta quinta-feira (29), com uma vitória sobre o holandês Tallon Griekspoor (50º) por 2 sets a 0 (6/4 e 7/5), pelas oitavas de final do ATP 500 de Viena, na Áustria.
Cumprindo profecia feita em 2016 pelo craque Rafael Nadal, o nome do tenista, filho de soviéticos, vai aparecer à frente do de Jannik Sinner, oficialmente, na semana que vem. Isso porque a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) só atualiza o ranking às segundas-feiras.
No próximo dia 13, durante o Finals, em Turim, na Itália, a ATP vai promover um jantar de gala para Zverev reunindo todos que já ocuparam a posição.
Apenas um tenista da Alemanha havia alcançado o lugar mais alto na lista masculina: Boris Becker, em 1991, que tinha se tornado o mais jovem bicampeão de Wimbledon (aos 18 anos, em 86) e ganhar mais três Grand Slams (Wimbledon-89, US Open-89 e Aberto da Austrália-91).
Após Becker, dois tenistas chegaram a flertar com o topo, mas pararam no segundo lugar: Michel Stich (em 1991) e Tommy Haas (2002).
Entre as mulheres, ninguém supera Steffi Graf. Dona de 22 Grand Slams (e mais 85 títulos), é a única atleta do tênis a levar o chamado Golden Slam, que é ganhar os quatro Grand Slams e o ouro olímpico no mesmo ano (feito realizado em 1988). Depois, foi só em 2016 que outra alemã alcançou o topo: Angelique Kerber.
PROFECIA DE NADAL
“Alexander Zverev vai ser número um”. Dez anos depois, a profecia de Rafael Nadal se realizou.
Naquela ocasião, a afirmação do tenista espanhol poderia parecer um consolo para o gigante alemão de 1,98 m. Afinal, ‘Sasha’ Zverev, com 19 anos, acabara de perder justamente para Nadal após ter desperdiçardo um match point nas oitavas de final do Masters 1000 de Indian Wells, nos EUA.
Aquela derrota mostrou uma das virtudes do alemão: resiliência. Filho de ex-tenistas soviéticos, cresceu no meio de bolinhas e enfrentando o trio de ferro: Nadal, Roger Federer, e Novak Djokovic.
Seu pai, Alexander Zverev, que deixou a Rússia e se mudou com toda a família para a Alemanha em 1991, chegou a figurar entre os 200 do mundo. O irmão mais velho, Mischa, foi o 25º do ranking mundial.
Treinado pelo pai e cuidado de perto pela mãe Irina, Sasha começou no tênis com cinco anos contrariando as orientações médicas. Com diabetes tipo 1, tinha a recomendação de uma vida sem grandes esforços esportivos. A mãe, porém, não aceitou a orientação e o incentivou. Ainda criança, o fã de Federer frequentou os torneios com o irmão e tomou gosto. Como juvenil, virou número um e se sagrou campeão do Aberto da Austrália em 2014.
Como profissional, logo mostrou que não era só uma promessa. Aos 20 anos, alcançou o terceiro lugar no ranking e já tinha uma vitória sobre o ídolo Federer. Destro e batendo o “backhand” com duas mãos, conseguiu ser um dos poucos a quebrar a hegemonia do trio de ferro e ganhou Masters 1000 e o ATP Finals, torneio que reúne os oito melhores da temporada.
Zverev é um dos três tenistas do mundo (com Andy Murray e Dominic Thiem) a vencer Djokovic (na quadra dura), Federer (na grama) e Nadal (no saibro).
Em 2021, faturou a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio, derrotando na semifinal Djokovic. Mas nos Grand Slams só batia na rede. Afinal, se não bastasse ter a geração mais dominante do circuito pela frente, ainda viu o surgimento dos jovens astros Carlos Alcaraz, da Espanha, e Jannik Sinner, da Itália, teve lesão grave no tornozelo direito em 2022 e enfrentou dois processos judiciais de ex-namoradas que o acusaram de agressão (extintos por falta de provas e acordo).
O primeiro título de um dos quatro principais torneios do circuito só veio mesmo neste ano após três vices (US Open-20, Roland Garros-24 e Aberto da Austrália-25) e sete semifinais. Nesta temporada, ganhou Roland Garros e o US Open. Entre os dois títulos ainda obteve o vice em Wimbledon.
Com essas conquistas e ao afastamento de Sinner por lesão, Zverev acumulou pontos para virar o 30º da história a chegar ao topo do ranking mundial.
Apoiado pelo amigo brasileiro Marcelo Melo (um dos maiores duplistas da história do país), Sasha, de 29 anos e pai de uma menina de cinco, torna-se o segundo jogador mais velho a ser número um pela primeira vez, só ficando atrás do australiano John Newcombe, que alcançou o ápice aos 30 anos.
Autor: Folha








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