Na terça-feira (14), mais uma vez a Liga dos Campeões foi dura demais com o Barcelona. O time que jogou bem, criou muitas chances e poderia ter feito mais gols foi eliminado pela eficiência e pragmatismo do Atlético de Madrid, mais afeito a aproveitar seus momentos nos confrontos e tentar reduzir as virtudes do rival.
Nesse jogo de ataque contra defesa, em que o time de vermelho e branco se fechava até com seis jogadores na última linha, a esperança do Barça estava em um garoto de 18 anos. Lamine Yamal já não é uma novidade ou uma surpresa. Ainda com idade de adolescente, é uma certeza de bom futebol, diversão e pânico para os adversários.
Na prévia, Lamine foi o escolhido para ser o “porta-voz da esperança”. Era quem mais acreditava em uma virada, quem tentava contagiar torcida e companheiros. A personalidade para colocar um dos times mais exigentes do mundo nas costas nos momentos decisivos da temporada parece imprópria para sua idade. É mais normal um garoto de 18 anos estar ansioso e tímido com as primeiras vezes do que parecer um veterano que já venceu e perdeu mil batalhas.
Jogando fora de casa, com um marcador que não o deixava ter 30 centímetros para dominar a bola e um sistema defensivo que gerava coberturas duplicadas e duplicadas, Lamine não se escondeu do jogo. Quase marcou com um minuto, foi às redes aos 4 e gerou mais três chances claras para seus companheiros. Um pavor de se ter contra, uma esperança para se ter a favor, uma delícia para quem apenas assiste.
Lamine é isso. Uma delícia. Quando alguém liga a TV para ver futebol, ou torce para um time, ou para o outro, ou quer se divertir. E esse garoto de 18 anos é quem fará as pessoas verem futebol e seguirem com vontade de assistir, por muitos anos. O drible, o improviso, o fazer o que não se espera, o que é tão difícil para outros, mas tão natural para ele.
Alguns jogadores são capazes de nos fazer lembrar por que gostamos tanto desse esporte. Haaland parece um ciborgue, um robô que vai triturando os números, estatísticas e somando pontos para seu time, mas ninguém vai dizer que ele representa mais para o futebol do que Ronaldinho Gaúcho.
Até hoje queremos que Neymar volte a ser algo parecido com o que ele já foi, porque ele é dessa gama de jogadores capazes de competir, jogar bem, vencer jogos, mas também é nesse tipo de futebolista que mora nosso desejo de futebol. Aliás, Lamine, se não tivesse ele próprio, seria Neymar. Os movimentos, a forma de vestir, de andar, o comportamento entre o deboche, um falso desinteresse e a irreverência são inspirados em seu grande ídolo brasileiro.
Aqui mora, inclusive, o temor de para onde o mundo do jovem espanhol vai girar. Por mais que o dentro de campo seja de brilhar aos nossos olhos e encher nossa barriga faminta por futebol arte, o fora de campo de um garoto de 18 anos sempre preocupa. Profissional desde os 16, Lamine precisa abrir mão dos prazeres da vida, do direito de ser um adolescente errático e de etapas importantes para um ser humano para ter um amadurecimento rápido e responsabilidades que ele nem sabia que faziam parte da vida de um ídolo mundial.
Eu não sei o que será dessa nova estrela. Quero que ele melhore, que evolua ainda mais, mas estou disposto a me conformar em que ele seja “apenas” isso, em troca de não se lesionar ou não se perder fora de campo.
Para quem quer se divertir com futebol, Lamine Yamal deverá ser o norte na próxima década.
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Autor: Folha




















