O Egito conquistou, nos pênaltis, sua primeira classificação em partidas de mata-mata de Copas nesta sexta-feira (3), pela fase de 32 da Copa do Mundo. Depois do empate por 1 a 1 em tempo normal, os egípcios venceram por 4 a 2 nas penalidades —foi a primeira disputa de pênaltis das duas equipes em Copas.
O jogo foi um dos mais truncados desta fase da Copa. Enquanto os australianos se defendiam com uma linha de cinco, às vezes seis defensores, os egípcios rondavam a área tocando a bola e procurando espaços, sem muita criatividade.
O plano dos Socceroos (apelido da seleção australiana, em alusão aos cangurus) era retrancar para não sofrer gol e contra-atacar. Apesar de ser o time mais defensivo, foI o mais perigoso nos primeiros minutos.
Cristian Volpato começou chutando forte de fora da área e atingindo o travessão. Na sequência, Jordan Bos driblou o zagueiro egípcio Rabia, superou o mesmo na corrida e quase finalizou para o gol em posição perigosa.
Mas a pressão não durou. O Egito conseguiu uma falta na entrada da área. A bola cruzada acabou sendo rebatida e acabou nos pés de Hafez. O lateral cruzou na medida para Ashour, que chegou livre para cabecear e abrir o placar. Ironicamente, a Austrália tomou um gol na sua principal virtude, a bola aérea.
Assim, em 12 minutos, o plano de jogo dos oceânicos foi por água abaixo: a equipe tem muita dificuldade em trocar passes e manter a posse de bola, o que teriam de fazer a partir dali.
Sabendo dessa fraqueza, os egípcios abriram mão de atacar e passaram a esperar um erro dos adversários, que teriam de se expor para buscar o empate.
O curioso é que os africanos poderiam, se quisessem, continuar ameaçando. Salah e Marmoush, seus dois craques, são mais talentosos do que a equipe australiana inteira.
Mas eles entregaram a bola para os Socceroos. Brigando com ela, os australianos conseguiram cruzar algumas vezes na área, sem muito perigo, em jogadas pela direita. Por ali, o ala Bos fez um duelo intenso com o zagueiro egípcio Rabia, e acabou lesionado no final do primeiro tempo, que terminou sem destaques individuais.
A segunda etapa começou bem mais movimentada: em poucos segundos, Marmoush recebeu a bola cara a cara com o goleiro, mas chutou para fora. Logo em seguida, o lateral direito egípcio Hany caiu desacordado após disputa aérea, mas voltou ao jogo depois de atendido.
Depois, em falta cruzada na área, o mesmo Hany acabou desviando de cabelça contra a própria meta e fez o gol contra que empatou para a Austrália.
A partir daí, o jogo ficou mais morno do que já estava no primeiro tempo, com poucas chances pra ambas as equipes. Só nos acréscimos a partida voltou a esquentar. Egípcios enfim começaram a pressionar, e o goleiro Beach teve que fazer uma defesaça após cabeçada de Rabia para levar a partida à prorrogação. O zagueiro australiano Souttar também se destacou com bloqueios e cortes.
No tempo extra, ambos os lados pareciam exaustos e nervosos, além da dificuldade que já tinham no tempo normal. Só no segundo tempo de prorrogação o Egito conseguiu efetivamente pressionar, mas não marcou.
Antes da disputa de pênaltis, o técnico Tony Popovic tirou o jovem goleiro Beach, de 22 anos, para a entrada do experiente goleiro Ryan, de 34, em movimento semelhante ao que fazia a Holanda na Copa de 2014, quando trocava Cillessen por Krul.
Curiosamente, um dos egípcios foi flagrado assistindo um vídeo de defesas de pênalti do goleiro australiano antes da disputa começar.
Com a classificação, o Egito vai às oitavas de final pela primeira vez na história para enfrentar o vencedor de Argentina x Cabo Verde, que jogam às 19h, que jogam às 19h desta sexta.
Autor: Folha








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