O técnico da Escócia, Steve Clarke, é alvo de apelos em direções opostas antes da partida contra o Brasil, marcada para quarta-feira (24), em Miami Gardens. Ao mesmo tempo em que é cobrado por um comportamento mais ofensivo de sua equipe, ouve pedidos de cautela diante de uma oportunidade única.
A formação escocesa chega à terceira rodada da Copa do Mundo com uma chance real de avançar ao mata-mata, algo que nunca conseguiu. No modelo ampliado da competição, com 48 seleções divididas em 12 grupos, avançam os dois primeiros de cada chave e também os oito melhores terceiros.
Com uma vitória por 1 a 0 sobre o Haiti e uma derrota pelo mesmo placar para Marrocos, o grupo dirigido por Clarke está na terceira posição do Grupo C, com três pontos. Um empate quase certamente assegura a classificação e mesmo uma derrota por diferença pequena no Hard Rock Stadium pode ser suficiente.
“Importa se a Escócia perder e ainda assim fizer história?”, perguntou a rede britânica BBC, no título de um de seus textos, assinado pelo respeitado articulista Tom English. “Uma glória estranha? Ou, quando você já perdeu tantas vezes por saldo de gols, já não importa mais nada? Esqueça a qualidade, apenas celebre a vaga?”
A qualidade foi mencionada por causa sobretudo das dificuldades ofensivas apresentadas até aqui nos Estados Unidos. Em 180 minutos de futebol no Mundial, o time acertou o total de dois chutes no gol –ambos contra o Haiti, um deles com dois desvios no caminho a rede do goleiro Johny Placide.
Por isso, o treinador recebeu críticas a respeito de suas escolhas na partida contra Marrocos. Clarke sacou o ponta Ben Gannon-Doak e adotou uma formação defensiva que resistiu por 69 segundos. Mesmo atrás no marcador desde o segundo minuto, a equipe teve limitadas ações ofensivas e não conseguiu evitar a derrota.
O comandante é cobrado por um maior ímpeto no ataque, porém sabe que precisa tomar cuidado com os contragolpes do Brasil. Foi em duas bolas recuperadas que a seleção de Carlo Ancelotti abriu vantagem sobre o Haiti e resolveu rapidamente o confronto na última sexta (19), com gols de Matheus Cunha.
“Se você olhar o jogo do Brasil, ficou 3 a 0 já no primeiro tempo. Isso aconteceu em outros jogos, como o da Espanha [contra a Arábia Saudita]. Então, é necessário um plano de jogo. Isso não significa que vamos ficar parados em nossa área por 90 minutos, porque, levando em conta o adversário, é impossível suportar”, afirmou o assistente técnico Steven Naismith.
“Sabemos o que precisamos fazer para tentar passar”, afirmou McGinn, meia que defende o Aston Villa e é um dos mais criativos atletas escoceses. “O Brasil tem qualidade e pode nos machucar a qualquer momento. Mas não podemos ter a mentalidade de perder por um gol de diferença e nos classificar por pouco.”
Na prática, porém, ao que tudo indica, o comportamento será cauteloso. É nisso que aposta Craig Levein, que dirigiu a equipe nacional de 2010 a 2012. Em seu tempo de jogador, ele esteve na Copa do Mundo de 1990 com a camisa da Escócia, em uma campanha encerrada com derrota por 1 a 0 para o Brasil, gol de Müller.
“Desta vez, há uma hipótese em que perdemos por 1 a 0 e ainda assim nos classificamos”, disse à Sky Sports News. “É um dilema para o Steve, na verdade, mas acho que ele vai adotar uma identidade defensiva. Vamos torcer para que seja suficiente. Acho que, se perdermos por 1 a 0, vamos avançar.”
Trata-se de uma matemática complexa que envolve variáveis em múltiplas chaves. No caso do Brasil, que soma quatro pontos e tem vantagem de dois gols sobre Marrocos, é mais simples. Se os dois atuais primeiros colocados vencerem –Marrocos pega o eliminado Haiti–, o primeiro critério de desempate será o saldo.
Os comandados de Carlo Ancelotti vêm apontando que a liderança da chave é importante. Não necessariamente por um adversário mais fraco, mas por questões logísticas. Em primeiro, o Brasil manteria sua base em Nova Jersey e iniciaria o mata-mata em Houston. Em segundo, teria de ir ao México e jogar em Monterrey.
“Temos todas as facilidades aqui, com um centro de treinamento muito bom, um hotel ótimo. Se a gente se classificar em segundo, como todos sabem, vai acabar mudando um pouco a programação, com uma viagem mais longa. Nosso primeiro objetivo é a classificação em primeiro lugar dar sequência à nossa campanha”, afirmou Martinelli.
Autor: Folha








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