
No seu discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e Israel de cometer crimes de guerra e terrorismo no conflito iniciado em fevereiro, o que levou a um protesto de Washington no plenário, e reiterou o argumento de que o programa nuclear iraniano, que motivou os combates no Oriente Médio, tem fins pacíficos.
No início do seu pronunciamento nesta quarta-feira (23), Pezeshkian exibiu fotos do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, e das vítimas de ataques a uma escola em Minab e a uma área residencial em Lamerd, ambas no sul do Irã.
Estados Unidos e Israel reconheceram responsabilidade apenas pela morte de Khamenei e disseram não ser responsáveis pelos outros bombardeios citados.
“Somos nós a fonte de instabilidade? Buscamos apenas viver de forma independente. Somos nós que causamos instabilidade? Aqueles que cometem atos de terrorismo e crimes [de guerra] seriam, por acaso, os protetores da paz e da estabilidade? Eles não respeitaram nenhuma das leis internacionais”, disse Pezeshkian.
Ao ouvir o trecho da fala do presidente do Irã acusando os EUA de crimes de guerra e terrorismo, o único representante do governo Donald Trump no local deixou o plenário das Nações Unidas.
“Eles rotulam de terroristas qualquer um que desejem desacreditar. Nos últimos dois séculos, o Irã não atacou nenhum país ou território”, afirmou Pezeshkian, sem citar o apoio de Teerã a vários grupos terroristas – o palestino Hamas, o libanês Hezbollah e os houthis do Iêmen – e os ataques iranianos a alvos civis no Oriente Médio na atual guerra contra EUA e Israel.
Sobre o programa nuclear iraniano, o mandatário alegou que o Irã busca “energia para o progresso, não para ameaçar sociedades com armas”.
“Quanto à defesa do Irã, nossos sistemas defensivos foram construídos de modo que ninguém pense que o bombardeio de cidades iranianas ficará sem resposta. É por isso que dispomos do poder militar que temos, para a nossa defesa. Mas dizemos claramente: para defender nosso país, não buscamos a permissão ou a aprovação de ninguém”, disse Pezeshkian.
A respeito do bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz, que o Irã usa como ferramenta de chantagem desde o início da guerra, inclusive com ataques a navios comerciais, o presidente iraniano argumentou que o regime islâmico não pode “permitir que alguns tenham livre acesso e obtenham vantagens de uma via navegável enquanto, simultaneamente, utilizam essa mesma via para nos agredir, para nos impor insegurança e para nos impedir o acesso às nossas próprias águas”.
Pezeshkian não sinalizou negociações com os Estados Unidos, ao afirmar que as forças iranianas vão lutar “até o último suspiro”.
“As armas nucleares estão em Israel, mas os inspetores estão no Irã. Israel mata, mas o Irã é alvo de sanções. É uma verdadeira tragédia que, na melhor das hipóteses, faria qualquer um que a ouvisse rir. Eles matam; nós sofremos sanções, nós somos punidos”, afirmou.
Na terça-feira (22), no seu pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, Trump disse que tem uma “decisão” a tomar: entre “aniquilar” o Irã ou fazer um acordo, que sinalizou que poderá ser fechado após as eleições americanas de meio de mandato presidencial, marcadas para novembro.
Autor: Gazeta do Povo








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