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Ex-assessor de Fauci admite esquema para ocultar e-mails da origem da Covid-19

David Morens, ex-assessor sênior do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, declarou-se culpado nesta terça-feira (18) de participar de um esquema para esconder e-mails federais. As comunicações envolviam pesquisas sobre o coronavírus e o debate sobre a origem da pandemia, incluindo o financiamento de laboratórios em Wuhan, na China, driblando leis de acesso à informação.

Como funcionava a estratégia para esconder as informações públicas?

David Morens admitiu ter conspirado com outros envolvidos para evitar que suas conversas fossem descobertas por meio da FOIA, a lei americana que garante a qualquer cidadão o direito de acessar documentos do governo. Para burlar a fiscalização e as regras de preservação de registros oficiais, ele utilizava sua conta pessoal do Gmail em vez do e-mail institucional. O objetivo era manter diálogos sobre temas sensíveis, como o financiamento de pesquisas em Wuhan, longe dos arquivos que poderiam ser auditados pelo Congresso ou solicitados pela população e pela imprensa.

O que motivou a criação desse esquema de mensagens secretas?

A trama começou após o Instituto Nacional de Saúde (NIH) cancelar o financiamento de um projeto de pesquisa sobre coronavírus em morcegos. O cancelamento ocorreu devido a suspeitas de que o vírus da Covid-19 pudesse ter vazado do laboratório de Wuhan, que recebia parte desses recursos. A partir daí, Morens e seus aliados passaram a trocar informações internas não públicas para tentar restabelecer o dinheiro e, simultaneamente, articular defesas técnicas para descartar a hipótese de um acidente laboratorial, protegendo interesses de instituições parceiras.

Quais benefícios pessoais o ex-assessor recebeu em troca de sua atuação?

A investigação revelou que o esquema não envolvia apenas questões burocráticas, mas também trocas de favores. Morens confessou ter recebido garrafas de vinho enviadas à sua casa como agradecimento por sua atuação nos bastidores. Além disso, houve promessas de jantares em restaurantes luxuosos em cidades como Paris e Nova York. Em contrapartida, ele se comprometia a produzir artigos científicos defendendo a tese de que a Covid-19 teve origem natural, o que ajudaria a silenciar as críticas sobre o possível vazamento de vírus durante experimentos financiados pelos EUA.