A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara o ato deste feriado de Sete de Setembro, na próxima segunda-feira, como uma demonstração de força política em São Paulo. A expectativa, segundo integrantes do PL ouvidos pela Gazeta do Povo, é de uma tentativa de mobilizar o eleitorado da direita e dar visibilidade à candidatura nesta reta final rumo ao primeiro turno.
O principal ato está previsto para a Avenida Paulista, palco de mobilizações que marcaram as campanhas de Jair Bolsonaro (PL), e deve reunir lideranças do partido e aliados do ex-presidente. A estratégia é usar a data para concentrar parte das principais figuras da direita em torno de Flávio.
Entre os nomes esperados estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o deputado federal Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF). A campanha também tem pedido que apoiadores e lideranças gravem vídeos de convocação para o ato.
O próprio Flávio passou a tratar a mobilização como uma oportunidade de apresentar a candidatura como parte de um movimento mais amplo. Em uma das convocações, afirmou que o 7 de Setembro seria “dia de mostrar a força de quem acredita em um Brasil diferente”. A mensagem da campanha termina com o chamado: “Vamos juntos resgatar o Brasil”.
A campanha do PL também pretende aproveitar a mobilização para ampliar as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo aliados, a intenção é transformar o 7 de Setembro em uma espécie de “dia D” contra o ministro. “O 7 de Setembro será o dia ‘em que o Brasil vai parar os intocáveis’”, defendeu Nikolas Ferreira.
Campanha de Flávio dobra atenção com desempenho da candidatura no Sudeste
Com cerca de 42% do eleitorado brasileiro, a Região Sudeste se tornou decisiva para a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) para a reta final da campanha rumo ao primeiro turno. Faltando cerca de 30 dias para os eleitores irem às urnas, a cúpula do PL trabalha para que o candidato melhore seu desempenho em relação ao patamar alcançado por Jair Bolsonaro em 2022. E prepara uma ofensiva nos quatro estados da região.
Levantamentos da Quaest analisados pela reportagem da Gazeta do Povo mostram uma disputa equilibrada entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos principais colégios eleitorais do Sudeste. O candidato do PL aparece numericamente à frente nos quatro estados, mas por apenas um ponto em São Paulo e Minas Gerais e por dois pontos no Rio de Janeiro.
A vantagem mais ampla está no Espírito Santo, onde Flávio lidera Lula por sete pontos. “Nós estamos numa situação um pouco pior do que estávamos em relação a 2022. É uma região que nós vamos ter um cuidado todo especial, até para que a população desta região, que tem uma condição econômica diferente, possa de fato fazer a comparação do que ocorreu nos dois governos”, admitiu Rogério Marinho, coordenador da campanha do PL, durante encontro com empresários.
Em São Paulo, estado que é o maior colégio eleitoral do país, Flávio e Lula aparecem praticamente empatados, segundo a pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto. No cenário estimulado, o candidato do PL tem 30% das intenções de voto, contra 29% do petista. Com a inclusão do nome do candidato Pablo Marçal (PRTB), os dois passam a registrar 30%.
Ao mesmo tempo, uma parcela relevante do eleitorado ainda pode mudar de posição até a votação: 13% dos paulistas estão indecisos e outros 12% afirmam que votarão em branco, nulo ou não pretendem votar. Para Beto Vasques, cientista político do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, esse grupo ganha atenção própria em uma disputa tão equilibrada.
“O foco estratégico da disputa agora se divide nessas dimensões: o comportamento do eleitor indeciso e pendular; o peso do eleitor abstencionista ou que opta pelo voto em branco e nulo”, afirma. Segundo Vasques, a proximidade entre os dois candidatos deixa a eleição mais imprevisível.
Ele avalia ainda que os eleitores indecisos são especialmente sensíveis ao noticiário das próximas semanas, em um cenário que pode ser influenciado por acontecimentos políticos e pela repercussão de temas como o caso do Banco Master e as votações no Congresso.
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Em Minas Gerais, o cenário de equilíbrio é ainda maior. No levantamento da Quaest sem Pablo Marçal, Flávio aparece com 31% das intenções de voto, contra 30% de Lula. Com a inclusão do candidato do PRTB, os dois passam a ter 31%.
A região tem peso estratégico adicional para Flávio porque, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, tem concentrado boa parte das agendas do candidato. Até o primeiro turno, são esperadas ao menos cinco visitas do candidato ao estado mineiro.
Flávio já participou de eventos em Belo Horizonte, incluindo compromissos ao lado do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e deve realizar ainda uma motociata em Juiz de Fora, cidade onde o pai dele, Jair Bolsonaro, sofreu o atentado com faca em 2018.
No Rio de Janeiro, Flávio tem uma vantagem numérica um pouco maior, mas ainda abaixo do esperado pela campanha, já que a região é o reduto eleitoral da família Bolsonaro. Segundo a Quaest, o candidato do PL aparece com 31%, contra 29% de Lula no cenário sem Marçal. Com o nome do PRTB, Flávio vai a 33%, enquanto o petista chega a 31%. A diferença permanece dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Por outro lado, o Espírito Santo apresenta o cenário mais favorável ao candidato do PL entre os quatro estados do Sudeste. Sem Marçal, Flávio registra 37%, contra 30% de Lula. Com a entrada do candidato do PRTB, a vantagem diminui, mas ainda é de cinco pontos: 34% a 29%. O estado, no entanto, concentra apenas cerca de 3 milhões de eleitores, o menor colégio eleitoral do Sudeste.
A avaliação de Jairo Pimentel, cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, é que os dados apontam para uma nova etapa da disputa, na qual a polarização continua relevante, mas não explica sozinha o comportamento do eleitorado. “A Quaest sugere que a eleição entrou em uma fase na qual a polarização continua organizando a disputa, mas já não consegue monopolizá-la”, afirma Pimentel.
Segundo ele, Lula preserva um piso eleitoral robusto, mas encontra dificuldade para ampliar sua coalizão além do campo governista, enquanto Flávio consegue transformar com mais eficiência o antipetismo em voto para sua candidatura.
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Metodologia das pesquisas citadas na reportagem
- Espírito Santo: levantamento realizado entre 23 e 26 de agosto, com 804 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-06255/2026.
- São Paulo: pesquisa realizada pela Quaest entre 21 e 24 de agosto, com 1.800 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-02096/2026.
- Minas Gerais: levantamento realizado entre 21 e 24 de agosto, com 1.506 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-09818/2026.
- Rio de Janeiro: pesquisa feita entre 21 e 24 de agosto, com 1.302 eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Registro no TSE: BR-09895/2026.
Autor: Gazeta do Povo








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