Os fones de condução óssea, que transmitem o som por meio de vibrações nos ossos do crânio, deixaram de ser um recurso restrito à reabilitação auditiva e passaram a ocupar as têmporas de corredores, ciclistas e praticantes de atividade física ao ar livre. Motivo? Eles são posicionados no rosto, deixando o canal auditivo livre, o que traz segurança para a prática de esportes na rua.
A tecnologia não é nova. A condução óssea é utilizada na medicina para contornar problemas nos ouvidos externo e médio. O que mudou foi a forma de aplicação e a adaptação para uso esportivo.
Nos fones intra-auriculares, a transmissão ocorre por condução aérea. O som que entra pelo ouvido externo vibra o tímpano; tais vibrações passam pelos ossículos da orelha média e a cóclea, parte do ouvido interno responsável pela audição, as converte em sinais elétricos, que são enviados ao cérebro pelo nervo auditivo.
Nos modelos por condução óssea, as vibrações sonoras são transmitidas diretamente pelos ossos do crânio até a cóclea —sem passar por ouvido externo e tímpano como no intra-auricular. Esse processo estimula as células sensoriais, que convertem o movimento em impulsos elétricos enviados ao cérebro, permitindo a percepção do som.
Para garantir a eficiência da transmissão, o aparelho deve ser posicionado em cima do osso (na têmpora ou maçã do rosto), acima da mandíbula e à frente da abertura do ouvido.
Vantages e riscos
O maior benefício relatado por usuários de fones de condução óssea é a segurança obtida pela liberação do canal auditivo, já que a redução da percepção sonora pode atrasar reações e aumentar a exposição a acidentes. Na prática, significa que o esportista consegue ouvir música e, ao m esmo tempo, perceber os demais sons ao seu redor—carros, ônibus, bicicletas, buzinas ou qualquer tipo de alerta de atenção ou perigo.
No entanto, em ambientes barulhentos, como ruas movimentadas ou academia lotada, o som externo pode competir com o que está sendo reproduzido. Neste caso, o erro é manter o aparelho em volumes elevados para compensar. Embora os riscos sejam menores do que os apresentados pelos fones convencionais, o modelo por condução óssea também pode causar perda auditiva se utilizado incorretamente.
“Usar com volume alto, a 85 decibéis, por uma a duas horas contínuas, já aumenta o risco, assim como o uso diário intenso com exposição repetida. Para praticar esportes, recomenda-se utilizar o aparelho com 60% do volume máximo, por 60 minutos seguidos”, afirma Andy Vicente, otorrinolaringologista do Hospital Cema. Para evitar a fadiga auditiva, a dica é fazer pausas em treinos longos.
Como não obstruem o canal auditivo, esses dispositivos reduzem a retenção de umidade no ouvido e, portanto, a chance de irritações ou infecções. Há também riscos durante a prática de exercícios intensos que estimulam a transpiração excessiva, mas estes são casos mais raros.
“[O uso do fone de condução óessea] pode causar irritação cutânea ao redor do pavilhão auricular. E a higiene inadequada favorece a proliferação de bactérias e fungos, podendo causar dermatite ou foliculites na pele”, diz Vicente.
Contraindicações
O especialista alerta que existem situações em que os dispositivos de condução óssea devem ser evitados ou usados com cautela: em caso de infecções ou lesões na pele; cirurgia de ouvido recente, pois pode prejudicar a cicatrização ou estimular demasiadamente as células sensoriais da cóclea; crises de cefaleia ou enxaqueca intensa; e em casos de perda auditiva neurossensorial significativa.
Também devem ser evitados durante a prática de esportes de contato, pelo risco de trauma.
Já pessoas com dificuldade de audição podem se beneficiar dos fones por condução óssea, sobretudo nos casos de otite externa crônica, otite média crônica e otosclerose.
“A menos que tenham perdas auditivas severas ou profundas, em que a potência do aparelho não consiga entregar um estímulo suficiente”, diz Fernando de Andrade Balsalobre, otorrinolaringologista da Aborl (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia).
“Nos casos de perda auditiva por transtorno de condução, a condução óssea tem um ótimo desempenho, já que transpõe o componente que envolve membrana timpânica e cadeia ossicular”, completa Balsalobre.
Como escolher
Ao comprar de fones de condução óssea para prática esportiva, prefira modelos de marcas confiáveis, com resistência a suor e chuva leve, boa fixação e autonomia de bateria compatível com seu treino.
Os preços variam bastante, de R$ 100 a R$ 2.000, a depender de marca, material utilizado, vida útil da bateria e qualidade sonora. Também é importante escolher os fones que tenham hastes que se encaixam no rosto na posição correta.
Autor: Folha








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