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Funeral de Ali Khamenei começa com gritos de vingança contra Trump

O funeral do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, começou neste sábado (4), em Teerã, sob forte esquema de segurança e marcado por manifestações de hostilidade contra os Estados Unidos, Israel e o presidente americano Donald Trump. Milhares de pessoas lotaram o complexo religioso Grande Mosalla, onde o caixão do aiatolá foi colocado em câmara ardente, quatro meses após sua morte em bombardeios realizados por Israel e pelos Estados Unidos.

Vestidos majoritariamente de preto, os participantes carregavam bandeiras vermelhas – símbolo de martírio e vingança na tradição xiita – e entoavam palavras de ordem como “Morte aos Estados Unidos”, “Morte a Israel” e “Vingança”. Também foram exibidos cartazes com mensagens pedindo a morte de Trump.

As cerimônias, que haviam sido previstas inicialmente para março, foram adiadas em razão da guerra iniciada após os ataques de 28 de fevereiro que mataram Khamenei. O funeral ocorre agora em meio às negociações diplomáticas entre Teerã e Washington, iniciadas após o cessar-fogo firmado no mês passado.

Segundo as autoridades iranianas, entre 15 e 20 milhões de pessoas deverão participar das homenagens ao longo dos seis dias de cerimônias, que prometem ser as maiores da história do país. O governo preparou uma ampla operação logística para receber peregrinos de diversas regiões, com mais de 400 tendas instaladas para acolher os visitantes e caminhões-pipa distribuindo água em meio às temperaturas superiores a 35°C.

Sobre o caixão de Khamenei foi colocado seu tradicional turbante preto. Ao lado dele estão os caixões de familiares mortos no mesmo ataque, entre eles uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses, segundo informações das autoridades iranianas.

Cortejo passará pelo Iraque

O corpo permanecerá exposto ao público até segunda-feira (6), quando começará uma procissão pelas ruas de Teerã. Em seguida, seguirá para a cidade sagrada de Qom e depois percorrerá outras cidades iranianas e importantes centros religiosos xiitas no Iraque, como Najaf e Karbala. O sepultamento está previsto para o dia 9 de julho, em Mashhad, cidade natal de Khamenei, no nordeste do Irã.

O governo iraniano afirma que as cerimônias também têm o objetivo de reforçar a unidade nacional após meses de tensão interna e da guerra com Israel e Estados Unidos.

Segurança reforçada e presença internacional

Teerã foi transformada em uma fortaleza para o funeral. Ruas foram bloqueadas, o espaço aéreo foi fechado e empresas suspenderam as atividades para facilitar a realização das cerimônias.

Desde o início da manhã, um cortejo de líderes, como os primeiros-ministros de Paquistão e Armênia; os presidentes de Iraque, Tajiquistão e Geórgia, além de representantes de Rússia, China, Iraque, Síria, Líbano, Afeganistão, Marrocos, Catar, Omã, Arábia Saudita, Nicarágua e Cuba, entre outros, desfilou diante dos caixões para prestar suas homenagens ao religioso. Familiares de Hassan Nasrallah, ex-líder do grupo terrorista Hezbollah morto em um ataque israelense, também participaram da cerimônia.

O general Ahmad Vahidi, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, apareceu em público pela primeira vez desde o início da guerra. Ele assumiu o comando da corporação após a morte de seu antecessor nos ataques de fevereiro.

Sucessor permanece ausente

A principal ausência foi a de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e atual líder supremo do Irã. Embora tenha sucedido o pai em março, sua participação nas cerimônias não foi confirmada.

Segundo relatos, Mojtaba teria ficado ferido durante o ataque que matou o pai e, desde então, não voltou a aparecer em público, limitando-se à divulgação de mensagens escritas.

Ali Khamenei governou o Irã por 37 anos. Durante seu período no poder, o país enfrentou crescente isolamento internacional, sanções econômicas, protestos internos e sucessivas crises políticas, enquanto aprofundava as tensões com Estados Unidos e Israel.

VEJA TAMBÉM:

  • Irã inicia megafuneral de Ali Khamenei quatro meses após morte do líder

Autor: Gazeta do Povo

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