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Futebol 2020 x Futebol 1980 – 26/04/2026 – O Mundo É uma Bola

Sou um saudosista.

Adapto-me às mudanças do mundo, vejo algumas como evolução, outras não, e no terreno esportivo sinto falta do tempo em que o futebol era diferente do de hoje.

Comecei a acompanhar futebol ao ouvir pelo rádio a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981, São Paulo x Botafogo, no dia 26 de abril de 1981, há 45 anos. O time tricolor ganhou de virada, 3 a 2, e avançou à decisão, na qual perdeu para o Grêmio do Baltazar, apelidado Artilheiro de Deus. Eu tinha 8 anos.

Era sensacional escutar os jogos via ondas do rádio, emoção à for da pele, e a maioria esmagadora dos torcedores o fazia, porque quase nenhum jogo passava na televisão. A imaginação corria solta, e era bacana ver os gols na TV, à noite ou no dia seguinte, para conferir se o que se tinha idealizado condizia com a realidade.

Ir às partidas era uma experiência para intrépidos. Fosse no Morumbi, que abrigava quase todos os clássicos paulistas (incluindo Corinthians x Palmeiras, Corinthians x Santos, Palmeiras x Santos), fosse em outro estádio, o ingresso era comprado nas bilheterias do local, que só recebiam dinheiro vivo. Não tinha internet, não eram aceitos cheques nem cartões, estes ainda incipientes.

Filas enormes e não respeitadas, a galera avançava para as janelinhas dos guichês. Uma luta corpórea. Havia a opção dos cambistas que por ali perambulavam, cobrando preços proibitivos por bilhetes que podiam ser falsos.

Nas arquibancadas, onde eu ficava, radinho de pilha no ouvido, não havia assentos. Era concretão, e ocupava-se o espaço por ordem de chegada. Retardatários apareciam dizendo “aperta aí, chega um pouquinho pra lá”. Não era legal, mas como lidar com o descarado, com o jogo para começar, e ele torcendo para o mesmo time? Apertávamo-nos.

No campo, a equipe jogava com o uniforme número 1 ou com o número 2. Nada de Corinthians de laranja, Santos de azul, e por aí vai, na onda de lançamentos de terceiros uniformes que desrespeitam as cores das agremiações. O lado comercial não imperava.

Os jogadores vestiam camisas e shorts de pano (algodão), não de poliéster. Elas encharcavam quando suadas, e eles, mais curtos, deixavam as coxas dos atletas em maior evidência.

A numeração dos titulares era fixa, de 1 a 11. Sempre. Se, por exemplo, Zico, o camisa 10 do Flamengo, não pudesse jogar por algum motivo, quem fosse escalado no lugar dele usaria a 10 nas costas. Com o passar do tempo, cada jogador ganhou número personalizado, acompanhado do nome.

Reservas no banco? Cinco: um goleiro e quatro de linha. Hoje são até 15. Substituições? Duas. Hoje são cinco. Em caso de prorrogação, mais uma. Em caso de concussão, pode ser realizada troca sobressalente.

Entrevistas com os jogadores eram feitas no atacado, antes, no intervalo e depois do jogo, e os repórteres tinham acesso, encerrada a partida, aos vestiários, onde faziam mais perguntas aos envolvidos no prélio. Hoje, portas fechadas, os jornalistas ficam à mercê das assessorias de imprensa oferecerem um mísero entrevistado, nem sempre o requisitado.

Uma outra era. Com mais técnica e menos força física. Com bandeiras com mastros, que deixavam as arquibancadas coloridas. Sem sócio-torcedor, todos éramos iguais. E sem o VAR, esse chato.

Sou um saudosista.


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Autor: Folha

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