
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, voltou a alfinetar o presidente Javier Milei nesta sexta-feira (21) sobre a viagem feita ao Brasil em julho, na qual disparou ataques ao homólogo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O opositor político do libertário deu declarações à imprensa após se reunir com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, durante sua visita a Montevidéu para participar do III Congresso Pan-Americano.
“Quero ser muito respeitoso, pois estou no exterior. Com certa cautela, quero dizer que não foi bom para a Argentina que nosso presidente tenha ido ao Brasil e feito os comentários e declarações que fez sobre o presidente de nossa vizinha e irmã República Federativa do Brasil”, disse ele.
Kicillof ressaltou que isso criou “uma situação muito frágil” e “uma deterioração das relações diplomáticas” com um dos principais parceiros comerciais da Argentina.
“Digo isso como governador da província. Nossa província tem relações comerciais com o Brasil, empresas brasileiras operam dentro de suas fronteiras e empresas da província de Buenos Aires operam no Brasil”, afirmou.
A crise entre Milei e Lula teve início após o libertário chamar o petista de “ladrão” e o rotular de “corrupto” durante a convenção partidária do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, no mês passado. Mais recentemente, o presidente argentino reiterou seu ataque ao homólogo brasileiro.
“Ele é um ladrão, ele é corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, foi preso, então a parte sobre ele ser um prisioneiro também é verdade”, afirmou Milei em 2 de agosto durante uma entrevista ao canal de notícias LN+.
“Não só isso: ele foi solto por erro processual, não por inocência. Portanto, ele é um ladrão e corrupto”, acrescentou.
Os insultos feitos por Milei a Lula durante viagem ao Brasil levaram o governo brasileiro a convocar seu embaixador em Buenos Aires para consultas e a convocar o embaixador argentino em Brasília.
Questionado sobre essas declarações na entrevista, Milei insistiu que estava dizendo a verdade e, ao ser questionado sobre a agressividade de suas palavras, respondeu: “É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”.
Em 4 de agosto, o Brasil anunciou a expulsão do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, e decidiu não enviar o embaixador brasileiro a Buenos Aires.
Autor: Gazeta do Povo








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