Não foi uma decisão tomada de uma hora para outra. Há meses, Pep Guardiola havia decidido que, depois de dez anos à frente do Manchester City, era chegado o momento de encerrar a sua vitoriosa trajetória no clube inglês, com o qual conquistou 20 títulos.
O treinador espanhol, 55, considerado um dos mais influentes da história do futebol, também definiu que não vai assumir nenhum trabalho imediatamente. Não sabe ainda se vai esperar três meses, um ano ou até mais antes de aceitar um novo projeto. Ele só tem certeza de que precisa fazer uma pausa em sua carreira após temporadas intensas na Inglaterra.
O adeus foi confirmado nesta sexta-feira (22). O jogo de despedida será no domingo (24), contra o Aston Villa, na última rodada do Campeonato Inglês. O City só cumpre tabela depois de perder a disputa do título para o Arsenal.
Guardiola, que assumiu o comando do City em 2016, conquistou seis títulos da Premier League —incluindo quatro consecutivos—, três Copas da Inglaterra, cinco Copas da Liga e a Champions League, mas sua equipe não vence o campeonato nacional há dois anos.
Para o treinador, o clube de Manchester também precisa de uma mudança em seu comando técnico. “Dez anos é muito tempo, e acho que o clube precisa de um novo treinador, de uma nova energia com esses jogadores incríveis que temos agora, para começar a escrever um novo capítulo.”
Ele ainda vai continuar ligado ao City, mas como embaixador global do City Football Group, dando consultoria técnica aos clubes do grupo. No momento, ele não sabe dizer, ou prefiriu não revelar, quando vai treinar uma equipe novamente.
“Muitas, muitas pessoas, quando contei aos meus familiares mais próximos que aquela seria minha última temporada, disseram: ‘Depois de três meses, você volta’. Eu disse que talvez, mas que precisava provar. Sinceramente, acho que não. Vai levar um tempo. Preciso provar para mim mesmo.”
“Preciso respirar um pouco e relaxar. Vou ficar um tempo fora, é o que sinto agora”, acrescentou. “Não me perguntem os motivos da minha saída. Não há motivo, mas, no fundo, sei que chegou a minha hora.”
Embora o City tenha conquistado a dobradinha das copas nacionais nesta temporada, Guardiola viu seus sonhos de um sétimo título da Premier League serem frustrados quando o time empatou em 1 a 1 com o Bournemouth na terça-feira, dando o título ao Arsenal, com o City destinado a terminar em segundo lugar.
O City também anunciou que a arquibancada norte ampliada do Etihad Stadium será nomeada Arquibancada Pep Guardiola, e uma estátua será encomendada para ser exibida na entrada da arquibancada.
Durante o tempo em que esteve no clube inglês, Guardiola teve seu nome especulado em outras equipes e também seleções, como a do Brasil.
Seu nome entrou no radar da CBF em meados de 2024, de acordo com o site do The Athletic, mas as conversas não avançaram. O próprio Guardiola também diminui as chances de um acerto. Na época, ele acreditava que apenas um técnico brasileiro poderia comandar a seleção do país.
“Eu creio que o técnico da Seleção Brasileira sempre será brasileiro, não vejo um estrangeiro em seleções como Brasil”.
Como se sabe, a equipe canarinho tem atualmente o italiano Carlo Ancelotti como seu comandante.
Campanhas históricas
Guardiola chegou a Manchester com um currículo já repleto de troféus conquistados por Barcelona e Bayern de Munique, assumindo o lugar de Manuel Pellegrini em julho de 2016.
Após herdar um clube vitorioso financiado pelo Abu Dhabi United Group, Guardiola sairá tendo construído um império futebolístico depois de conduzir uma mudança de paradigma nas táticas da Premier League.
Enquanto Guardiola enfrentava o desafio de se adaptar ao ritmo acelerado e à intensidade física característicos do futebol inglês, a posse de bola se tornou uma forma de arte e uma ferramenta defensiva no City, com suas equipes buscando controle absoluto do jogo.
O resultado não foi apenas domínio total —evidenciado por campanhas históricas como a temporada 2017/18 com 100 pontos e 106 gols marcados—, mas também uma consistência implacável ano após ano, incluindo o recorde de quatro títulos consecutivos do campeonato.
Os elencos de Guardiola estabeleceram novos padrões, forçando outras equipes a evoluir, enquanto o poderio financeiro do City, combinado com contratações astutas como a do cobiçado atacante Erling Haaland, ajudou a conquistar a tríplice coroa em 2022/23.
No entanto, o espectro das 115 acusações de supostas violações das regras financeiras da Premier League paira sobre sua passagem pelo clube.
Guardiola elevou o nível
Sua rivalidade com o ex-técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, elevou tanto o nível da Premier League que até mesmo 97 pontos se mostraram insuficientes para o time de Anfield conquistar o título em 2018/19.
Mais recentemente, Guardiola enfrentou o desafio de seu pupilo e ex-auxiliar técnico Mikel Arteta, que assumiu o Arsenal e terminou em segundo lugar atrás do City duas vezes antes de finalmente conquistar o troféu nesta temporada.
Mas Guardiola olhou com carinho para seu tempo em Manchester, lembrando como a cidade se uniu após o atentado na Manchester Arena e também descrevendo como o clube o ajudou em um período difícil quando perdeu sua mãe para a covid-19.
“Os torcedores, a comissão técnica, o povo de Manchester, vocês me deram força quando eu mais precisei”, acrescentou.
“Jogadores, não se esqueçam —cada instante, cada momento, eu, minha comissão técnica, este clube, tudo. O que fizemos, fizemos por todos vocês. E vocês foram simplesmente excepcionais. Vocês ainda não sabem, mas estão deixando um legado.”
“Senhoras e senhores, obrigado por confiarem em mim. Obrigado por me incentivarem. Obrigado por me amarem… Tony Walsh disse em seu inesquecível poema: ‘Este é o lugar’. Me desculpe, Tony: este é o meu lugar.”
Autor: Folha








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