quinta-feira, agosto 6, 2026
21.6 C
Pinhais

Hamlet com Riz Ahmed estreia no Brasil e recebe elogios da crítica

Uma das adaptações mais comentadas de Hamlet nos últimos meses finalmente chegou ao Brasil. Dirigido por Aneil Karia e estrelado por Riz Ahmed, o longa abandona a Dinamarca renascentista para transportar a tragédia de William Shakespeare para a Londres contemporânea, onde disputas familiares, especulação imobiliária e conflitos de poder substituem a corte de Elsinore. A proposta não é apenas atualizar o cenário, mas reinterpretar o clássico por meio de uma linguagem cinematográfica mais dinâmica — uma escolha que recebeu elogios consistentes da crítica especializada.

Escrito por Michael Lesslie, o filme apresenta Hamlet como herdeiro de uma poderosa família sul-asiática dona da incorporadora Elsinore, empresa que ocupa o lugar simbólico do castelo da peça original. Após a morte do pai, o protagonista retorna do exterior e vê sua vida mudar quando o fantasma do antigo CEO revela que foi assassinado por Cláudio, irmão da vítima e agora à frente dos negócios da família. É essa revelação que desencadeia a busca de Hamlet por respostas e vingança. Ao lado de Riz Ahmed, o elenco reúne Morfydd Clark, Joe Alwyn, Sheeba Chaddha, Art Malik, Timothy Spall e Avijit Dutt.

Recepção da crítica

Segundo crítica de Nicolas Rapold publicada no The New York Times, essa atualização funciona justamente por transformar a peça em um filme que explora plenamente os recursos do cinema. Ele destaca a abertura em que Hamlet declama o célebre “Ser ou não ser” enquanto dirige em alta velocidade pelas ruas de Londres, exemplo da maneira como Karia converte conflitos internos em movimento e tensão visual. O jornal também elogia a atuação de Riz Ahmed, considerada intensa e fisicamente inquieta, além da decisão de acompanhar o protagonista de forma muito próxima ao longo da narrativa. A principal ressalva, segundo o crítico, é que a adaptação perde parte da ampla gama de nuances filosóficas e emocionais presentes na peça de Shakespeare em favor de um ritmo mais acelerado.

A avaliação publicada pelo RogerEbert.com, assinada por Sheila O’Malley, segue caminho semelhante, mas aprofunda a discussão sobre as mudanças feitas na adaptação. A crítica observa que diversos personagens e cenas clássicas foram eliminados para condensar uma peça que, em sua versão integral, pode ultrapassar quatro horas de duração. Segundo O’Malley, a narrativa concentra quase toda a experiência na jornada psicológica de Hamlet, transformando o protagonista no centro absoluto da história. A crítica destaca a interpretação de Riz Ahmed como um homem preso entre a necessidade de vingança e a incapacidade de cumprir o papel esperado de um herói de tragédia. Também elogia soluções criativas para momentos conhecidos da peça, como a transformação da tradicional encenação dentro da história em um espetáculo de dança durante o casamento de Cláudio e Gertrudes. Como contraponto, afirma que a retirada dos momentos de alívio cômico faz o filme perder parte do equilíbrio dramático e, em alguns momentos, tornar a tragédia excessivamente pesada. Ainda assim, conclui que a adaptação reúne qualidades suficientes para ser recomendada.