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IA: Google está destronando a OpenAI – 22/05/2026 – Tec

O complexo onde o Google realiza sua conferência anual de desenvolvedores de software tem um ar brega de parque de diversões. Trailers ficam estacionados no local, funcionários chegam nas bicicletas multicoloridas da empresa e há estandes e atrações por toda parte. No palco, Sundar Pichai, o CEO da big tech, conta uma piada sem graça.

O evento está longe de ser tão elegante quanto a conferência de desenvolvedores da Apple, realizada em junho, que tenta manter um pouco do minimalismo do falecido Steve Jobs. Mas quando se trata de IA (inteligência artificial), o Google há muito tempo ofuscou a fabricante do iPhone (seus modelos vão alimentar muitos dos recursos de IA da Apple daqui para frente). Agora parece que também pode roubar o trono da OpenAI, criadora do ChatGPT.

Em 19 de maio, o Google apresentou uma nova linha de agentes de IA alimentados por seu mais recente modelo, o Gemini 3.5 Flash, incluindo codificadores de IA para rivalizar com os oferecidos pela OpenAI e Anthropic, mas também agentes projetados para realizar diversas tarefas para pessoas comuns em suas vidas cotidianas.

Alguns aparecerão no aplicativo Gemini, usado por 900 milhões de pessoas todo mês. Outros serão incorporados diretamente ao Google Search, usado por mais de 3 bilhões. A empresa está, em suma, levando agentes às massas.

Como é comum no Vale do Silício, os exemplos que os executivos usaram no palco levantaram muitas sobrancelhas. Com que frequência alguém precisaria de um agente de IA para fazer uma apresentação de slides para uma festa com pula-pula? No entanto, as ferramentas apresentadas também mostram potencial.

Um agente chamado Gemini Spark será capaz de fazer coisas como escanear e-mails ou organizar viagens em grupo mesmo depois que o usuário fechar o laptop ou largar o celular, enquanto “agentes de informação” no Google Search poderão acompanhar torneios esportivos, promoções de compras ou o mercado de ações.

Tudo isso parece particularmente preocupante para a OpenAI, que até agora liderava na IA para consumidores. Pouco depois de o Google lançar sua família de modelos Gemini 3 em novembro, Sam Altman, CEO da OpenAI, emitiu um “código vermelho” para mobilizar os funcionários a acelerar as melhorias no ChatGPT.

Desde então, o foco da OpenAI mudou para seu agente de codificação. Mas o lançamento do Gemini 3.5 Flash, que o Google diz ser quatro vezes mais rápido que outros modelos, e o novo conjunto de agentes provavelmente levantará novas perguntas sobre o que a OpenAI está fazendo com seu chatbot principal.

Os investidores estão otimistas com as perspectivas do Google. O valor de mercado da Alphabet, sua empresa controladora, está agora a um passo de US$ 5 trilhões, tendo ultrapassado US$ 4 trilhões em janeiro. No entanto, o sucesso do Google em IA também está criando problemas.

Segundo Pichai, o número de tokens —a medida preferida do Vale do Silício para uso de IA— consumidos por seus serviços subiu para 3,2 quatrilhões por mês, ante 480 trilhões há um ano. Cada token requer poder computacional, e, portanto, dinheiro para ser gerado, razão pela qual os gastos de capital do Google este ano chegarão a US$ 190 bilhões, seis vezes mais do que há quatro anos. Além disso, esse dinheiro não rende tanto quanto antes, porque tudo, de chips a energia, ficou mais caro. Mesmo para o Google, há limites de gastos.

Existem algumas soluções potenciais. Uma é reduzir o custo por token tornando a tecnologia mais eficiente, o que o Google certamente fará. Outra é impor limites ao uso de IA. Tais restrições não foram anunciadas no evento, mas assinantes do Gemini foram alertados mas assinantes do Gemini foram alertados de que elas seriam aplicadas de que elas seriam aplicadas, embora com limites mais altos do que para não assinantes, segundo Richard Windsor, da Radio Free Mobile, uma firma de pesquisa. Limites de uso também podem encorajar mais pessoas a pagar por uma assinatura.

Uma terceira solução é apostar mais em anúncios. O Google acredita que o maior detalhamento das consultas de IA atrairá os profissionais de marketing. Embora ainda não tenha incorporado anúncios em seu aplicativo Gemini, vem intercalando-os nas respostas de IA que seu serviço de busca agora fornece, e em breve colocará explicadores de produtos com IA ao lado desses anúncios.

Pichai observou na conferência que algumas empresas “já estouraram seus orçamentos anuais de tokens —e estamos apenas em maio”. Os consumidores não estão “tokenmaxxing” nem de longe na mesma proporção. Assim, quanto mais usarem agentes, mais os provedores de IA precisarão encontrar maneiras inovadoras de ganhar dinheiro com eles.

Texto de The Economist, traduzido por Helena Schuster, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com

Autor: Folha

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