Uma década após a tragédia aérea que marcou para sempre a história da Chapecoense e comoveu o futebol mundial, o clube brasileiro e o Atlético Nacional voltaram a se encontrar neste sábado (26), em Medellín, para transformar a dor compartilhada em um abraço de amizade eterna.
O reencontro teve como palco o estádio Atanasio Girardot, o mesmo local que, dez anos atrás, preparava-se para receber a primeira final internacional da Chapecoense.
Desta vez, não havia um troféu em disputa —naquela ocasião, seria disputado o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana— nem uma rivalidade a ser resolvida, mas uma homenagem às 71 pessoas que perderam a vida no acidente de 28 de novembro de 2016 e uma nova demonstração do vínculo que uniu para sempre as duas instituições.
O amistoso terminou empatado em 1 a 1, resultado que pareceu apropriado para uma jornada em que a competição ficou em segundo plano.
Yago Felipe colocou a equipe brasileira à frente aos 22 minutos, com uma brilhante cobrança de falta, e, apenas um minuto depois, Emanuel Benítez empatou para o Atlético Nacional.
Mas o placar foi apenas um detalhe em uma tarde dominada pelas lembranças, pela gratidão e pelo reconhecimento mútuo entre dois clubes que transformaram uma das maiores tragédias do futebol em uma amizade que resistiu ao passar do tempo.
Capitania vitalícia
O ex-jogador Hélio Neto, um dos seis sobreviventes do acidente aéreo, esteve presente na partida.
Os jogadores das duas equipes usaram uma braçadeira com a frase “71 sempre presentes”.
Antes do início da partida, os atletas se reuniram ao redor do círculo central para ouvir os hinos do Brasil e da Colômbia e, em seguida, posaram juntos para uma fotografia oficial carregada de simbolismo, uma imagem pouco comum no futebol e reflexo do vínculo construído entre os dois clubes ao longo da última década.
“Espero sinceramente que essa irmandade dure por muitos anos”, disse Neto antes do início da partida, agradecendo ao Atlético Nacional pelo gesto de solicitar à Conmebol que concedesse à Chapecoense o título da Copa Sul-Americana de 2016, o único troféu internacional da coleção do clube brasileiro.
O Atlético Nacional “é um desses grandes clubes que abraçaram a Chapecoense (…) e nos engrandeceram”, acrescentou.
Após o empate em 1 a 1 que encerrou o primeiro tempo, Neto protagonizou um dos momentos mais emocionantes da jornada ao entregar, à beira do campo, a braçadeira denominada “Capitania vitalícia” a sete colombianos que participaram dos trabalhos de resgate dos sobreviventes do acidente aéreo.
A homenagem foi dirigida àqueles que se deslocaram até Cerro Gordo, no leste do departamento de Antioquia, onde caiu a aeronave da companhia LaMia após ficar sem combustível.
Aplauso caloroso às vítimas
Com o passar dos anos, o local foi simbolicamente rebatizado como Cerro Chapecó, em memória das vítimas da tragédia.
Aos dez minutos de jogo, o futebol parou por um instante.
Os torcedores presentes no Atanasio Girardot ficaram de pé e prestaram uma emocionante salva de palmas às vítimas da tragédia aérea que mudou para sempre a história da Chapecoense e do futebol sul-americano.
Meses após a tragédia, Atlético Nacional e Chapecoense voltaram a se encontrar para disputar a Recopa Sul-Americana de 2017, reservada aos campeões da Libertadores e da Sul-Americana do ano anterior.
A equipe colombiana ficou com o troféu ao vencer por um placar agregado de 5 a 3 após as duas partidas.
Autor: Folha








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