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Justiça argentina pede imagens da passagem de Flávio pelo país

A Justiça da Argentina determinou nesta quinta-feira (29) que sejam preservadas as imagens das câmeras de segurança que registraram a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país, após uma denúncia apresentada por um dirigente da esquerda argentina contra o presidente Javier Milei. A medida busca esclarecer se funcionários do governo argentino participaram de alguma “operação irregular” para facilitar a viagem de Flávio e sua família aos Estados Unidos, após o senador ter sido alvo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), logo após o segundo turno no Brasil.

A determinação foi tomada pela juíza federal María Eugenia Capuchetti, de Buenos Aires, a pedido da procuradora Paloma Ochoa. Segundo os jornais argentinos Clarín e La Nación, a magistrada ordenou que órgãos públicos conservem as gravações do aeroporto de Puerto Iguazú, na província de Misiones, e da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga a cidade argentina a Foz do Iguaçu, no Paraná.

A decisão ocorreu após uma denúncia de Gabriel Solano, dirigente do Partido Operário, que integra a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores-Unidade (FITU). Ele acusa Milei e integrantes de seu governo de “possível favorecimento pessoal agravado, abuso de autoridade, violação dos deveres de funcionários públicos e uso irregular de recursos estatais”. Na denúncia, Solano argumentou que as autoridades argentinas deveriam ter conhecimento da decisão de Moraes, que proibia Flávio de deixar o Brasil.

A juíza também solicitou informações ao Ministério das Relações Exteriores e à Direção Nacional de Migrações para saber se o governo argentino havia recebido algum comunicado oficial do Brasil sobre as restrições impostas a Flávio. A ordem de preservação das imagens é uma medida preliminar. Segundo o Clarín, os órgãos públicos ainda não foram obrigados a entregar todas as gravações à Justiça. A procuradora Ochoa ainda vai avaliar os documentos antes de decidir se existem elementos suficientes para abrir uma investigação criminal formal sobre o assunto.