No cinema, há uma eleição que escolhe a cada ano os piores (filme, ator, atriz, diretor etc.) do período. Chama-se Framboesa de Ouro.
Criação do publicitário John J.B. Wilson, existe desde o começo dos anos 1980 e, se não é tão célebre como o Oscar (que elege anualmente os melhores, em dezenas de categorias), tem lá a sua fama.
Já conquistou esse troféu nada glorioso gente bem famosa, como Sylvester Stallone, Al Pacino, Marlon Brando (atores), Nicole Kidman, Sandra Bullock, Madonna (atrizes), Francis Ford Coppola e George Lucas (diretores).
Entre os filmes premiados com o Framboesa de Ouro estão “Cinquenta Tons de Cinza”, “Mulher-Gato”, “Quarteto Fantástico” e “A Guerra dos Mundos”, este o vencedor mais recente, escolhido neste ano pelos 657 votantes da Associação Prêmio Framboesa de Ouro, com sede em Los Angeles.
O nome Framboesa de Ouro (Golden Raspberry) vem da expressão em língua inglesa “blowing a raspberry” (soprar uma framboesa), que significa emitir pela boca um som de desaprovação, semelhante ao emitido ao se expelir gases. O barulho ao soltar um pum.
No futebol, há anualmente duas premiações que enaltecem os melhores da temporada, a Bola de Ouro, da revista France Football, e The Best, da Fifa. Não existe nada similar para eleger os piores de um ano.
Na Copa do Mundo, a Fifa nomeia ao término da competição o melhor jogador. A melhor seleção, não há necessidade de eleição: é a campeã, concorde-se ou não com a qualidade do futebol apresentado por ela. Geralmente, que ganha é mesmo a que jogou melhor, com uma exceção famosa, o Brasil de 1982, considerado o “campeão moral”.
Na falta de um Framboesa de Ouro no futebol, crio um e o nomeio Troféu Íbis. Referência ao clube pernambucano, da cidade de Paulista, conhecido mundialmente como “o pior time do mundo”.
O Íbis está até no Guinness, o Livros dos Recordes, por ficar, no início dos anos 1980, quase quatro anos sem ganhar uma partida. Foram ao todo 55 jogos entre muitas derrotas (48) e poucos empates.
Neste Mundial, os concorrentes a pior time são a Iraque (três derrotas em três, saldo negativo de -11 gols), Uruguai (bicampeão mundial, queda na fase de grupos com empates contra Arábia Saudita e Cabo Verde) e Alemanha (tetracampeã mundial, eliminação na fase 32, nos pênaltis, diante do Paraguai).
Elejo o Uruguai. Troféu Íbis para Marcelo Bielsa e grande elenco.
Dá para nomear também o pior goleiro, com o prêmio Luva Furada: o uruguaio Muslera, que falhou feio tanto no empate contra Cabo Verde como na derrota para a Espanha, sendo substituído no intervalo do primeiro para o segundo tempo.
E o jogador que mais decepcionou, o Bola de Lata? Neymar? Muitos brasileiros, se houvesse uma enquete, votariam nele. Só que o camisa 10 pouco foi a campo e ainda deixou um golzinho no fim, de pênalti, contra a Noruega.
Fico com Bruno Fernandes. Eleito o melhor futebolista do mais badalado campeonato do planeta (Premier League, da Inglaterra), em cinco partidas por Portugal na Copa na América do Norte, não fez gol e deu uma mísera assistência, contra o saco de pancadas Uzbequistão.
Finalizo com o Prancheta Patética, para o pior técnico. É fácil entregá-lo a um das seleções que só perderam (Iraque, Tunísia, Jordânia, Uzbequistão, Haiti, Panamá), só que dessas equipes nada se esperava.
O prêmio vai para o alemão Julian Nagelsmann, que, depois de dois anos e meio à frente da Alemanha, naufragou cedo na Copa. Fica no currículo um 7 a 1 sobre Curaçao –de valia insuficiente para evitar a demissão.
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Autor: Folha








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