quinta-feira, outubro 29, 2026
14.3 C
Pinhais

Mbappé enfrenta boicote na China após meme sobre Mao – 27/10/2026 – Esporte

O capitão da seleção francesa de futebol, Kylian Mbappé, pediu desculpas nesta terça-feira (27) depois que marcas chinesas romperam vínculos com ele por comentários que faziam referência ao líder chinês Mao Tsé-Tung.

O atacante de 27 anos é ouvido em um vídeo dizendo que o meme mais engraçado que havia visto sobre si mesmo era um em que seu rosto havia sido sobreposto a outro por montagem. “Um sujeito… Acho que ele é um ditador chinês”, disse, em aparente referência à imagem que combinava seu rosto com o de Mao.

“Durante uma entrevista recente, reagi a uma imagem minha. Meu comentário foi impensado, e agora entendo que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas ao redor do mundo”, disse Mbappé em comunicado.

“Peço desculpas a todos os que se sentiram ofendidos com minhas palavras”, acrescentou. “Essa não era, de forma nenhuma, a minha intenção. Tenho profundo respeito pelo povo chinês e por sua história e lamento sinceramente.”

Na China, sátiras ou piadas sobre Mao, líder fundador da China moderna, que governou o país de 1949 até sua morte, em 1976, são consideradas desrespeitosas e continuam sendo um tabu social.

A gafe de Mbappé evidencia os riscos para atletas e marcas no enorme mercado chinês. O craque, um dos atletas mais conhecidos do mundo, mantém vínculos com empresas com forte presença na China, como a marca de artigos esportivos On, a rede de hotéis Accor e a fabricante de brinquedos Lego.

Outras grandes empresas e organizações que já provocaram a ira de Pequim, de internautas chineses e da imprensa chinesa incluem a grife Dolce & Gabbana, a fabricante suíça de relógios Swatch e a NBA.

“A equipe de Mbappé sabia, ou deveria saber, qual era o verdadeiro custo dos contratos de publicidade com marcas chinesas”, disse Terrence Burns, especialista em patrocínio esportivo e CEO do T. Burns Sports Group. “Hoje, os atletas são seus próprios veículos de comunicação, e suas equipes deveriam treiná-los como tal.”

“O que ele disse?”

O veículo estatal chinês China Daily afirmou que a declaração de Mbappé havia provocado “uma reação negativa entre seus fãs chineses, ameaçado suas lucrativas relações comerciais e servido como um duro lembrete dos limites da influência das celebridades”.

Muitos veículos de imprensa chineses condenaram nesta terça-feira as aparentes declarações de Mbappé, mas não as reproduziram.

“O que ele disse? Muitos chineses preferem não repetir”, afirmou o Global Times, jornal ligado ao Estado. “A mensagem dos consumidores chineses é clara: respeito não é opcional; ninguém pode lucrar com a China ao mesmo tempo que a desrespeita. De jeito nenhum.”

O pedido de desculpas não convenceu a todos de imediato. “Não aceito. Não perdoo!!”, escreveu um usuário na plataforma chinesa de mídia social Weibo. Outro escreveu: “Ele não percebe que errou. Só sabe que agora precisa ter medo”.

Marcas como as empresas de laticínios Mengniu e Shanghai Milkground Food Tech, assim como a Eastroc Beverage, anunciaram que encerrariam imediatamente toda a cooperação com Mbappé, que joga no Real Madrid.

As empresas disseram que “se opõem firmemente e têm tolerância zero com quaisquer palavras ou ações que firam os sentimentos do povo chinês”.

A televisão estatal chinesa suspendeu as transmissões de todas as partidas e eventos envolvendo o Campeonato Espanhol e Mbappé, e todos os anúncios publicitários com o jogador foram retirados, informou o veículo de comunicação The Paper, ligado ao Estado.

Javier Tebas, presidente da LaLiga, entidade que organiza o Espanhol, publicou um pedido de desculpas no X e afirmou que sua organização lamentava profundamente os comentários que causaram desconforto e na China.

“Estamos tomando as medidas ao nosso alcance e trabalhando diretamente com nossos parceiros e interlocutores na China para superar esta situação”, escreveu Tebas. “Uma relação construída ao longo de tantos anos não pode ser prejudicada por um único episódio.”

A emissora estatal chinesa CCTV afirmou que ouviria o que Mbappé tinha a dizer após seu pedido de desculpas e, “ainda mais importante”, observaria o que ele faria.

“Esperamos que a LaLiga, o Real Madrid e o próprio Mbappé realmente tirem uma lição disso, apresentem um pedido sincero de desculpas e corrijam plenamente seus erros”, afirmou em comunicado.

O Real Madrid não quis comentar.

A On Holding, empresa sediada na Suíça que contratou Mbappé em setembro, após ele ter passado duas décadas na concorrente americana Nike, recebeu positivamente seu pedido de desculpas e afirmou ter “profundo respeito” pela China.

A Accor não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.

A dinamarquesa Lego, que vende na China um conjunto de montar de Mbappé, afirmou que não poderia comentar. O conjunto de Mbappé ainda aparecia no site chinês da Lego na terça-feira.

Entre os assuntos mais comentados do Weibo

Na manhã de terça, quatro assuntos relacionados a Mbappé ainda estavam entre as dez buscas mais populares no Weibo. Alguns internautas pediram que a China colocasse Mbappé em uma “lista negra” e reduzisse seu valor comercial a zero. Esses comentários receberam centenas de curtidas.

Fãs vêm criando memes que sobrepõem o rosto de Mbappé a imagens de líderes militares e políticos, sugerindo que ele tem poder para influenciar decisões nos times pelos quais joga. Mbappé recebeu da imprensa europeia o apelido de “o ditador”.

“Ao tentar rir de si mesmo e de sua reputação de ditador no vestiário, ele aparentemente ultrapassou uma linha vermelha cuja existência desconhecia”, disse Brian Jacobsen, estrategista-chefe de economia da Annex Wealth Management.

Em entrevista ao L’Equipe no mês passado, Mbappé afirmou que, embora alguns aspectos da onda de memes fossem uma brincadeira inofensiva, aqueles que viralizaram retratando-o como ditador demonstravam “falta de consciência política e humana”.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que palavras e ações que ferem os sentimentos do povo chinês “naturalmente enfrentarão a oposição conjunta de todos os setores da sociedade chinesa”.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas