
Desafiando a pressão em curso dos Estados Unidos contra Cuba, o governo do México, liderado pela presidente esquerdista Claudia Sheinbaum, anunciou nesta segunda-feira (11) o envio de um novo navio com ajuda humanitária para a ilha. Sheinbaum afirmou que a medida busca aliviar a situação da população cubana em meio ao endurecimento das sanções americanas contra Havana.
“Hoje sai um navio de ajuda humanitária para Cuba. Para de alguma forma amenizar o sofrimento do povo cubano. Vamos continuar enviando ajuda humanitária”, disse a presidente mexicana durante sua entrevista coletiva diária na Cidade do México.
Sheinbaum também voltou a defender a posição do México contra o embargo americano a Cuba. De acordo com a presidente, seu governo manterá uma postura de “solidariedade” com Havana e continuará defendendo o “princípio de autodeterminação dos povos”.
“O México sempre será fraterno e solidário com todas as nações do mundo, particularmente com Cuba”, afirmou. “Nós acreditamos na autodeterminação dos povos, um princípio que, além disso, está consagrado na Constituição do México”, acrescentou.
A fala ocorreu em um momento de escalada da pressão de Washington sobre o regime cubano. Os Estados Unidos ampliaram recentemente o alcance das sanções contra Havana para atingir quase qualquer pessoa ou empresa não americana que mantenha relações comerciais com a ilha comunista, especialmente nos setores de energia, defesa, segurança e finanças.
Sheinbaum disse que o México não concorda com o bloqueio econômico contra Cuba desde sua origem, em 1962, durante a Guerra Fria.
“Não concordamos, nem jamais concordamos, desde o primeiro momento em que o bloqueio foi proposto, com o bloqueio contra Cuba”, declarou.
Questionada sobre a possibilidade de o México enviar petróleo à ilha, a presidente afirmou que Cuba já recebe esse tipo de apoio da Rússia – o regime de Vladimir Putin já enviou para Cuba dois petroleiros carregados. Segundo Sheinbaum, por isso, o governo mexicano está direcionando a ajuda a outras áreas humanitárias.
Desde janeiro, os Estados Unidos ampliaram as medidas para restringir a entrada de petróleo e combustíveis em Cuba, ao mesmo tempo em que pressionam o regime de Havana a promover mudanças em seu modelo econômico e político. Apesar desse cerco energético, Trump minimizou o envio de petróleo russo à ilha ao ser questionado sobre o tema, afirmando que não via problema na decisão de Moscou.
Trump já afirmou recentemente que tomará o “controle” de Cuba “quase imediatamente” depois de concluir o “trabalho” no Irã, em referência à ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o país persa no fim de fevereiro.
A decisão de Sheinbaum de enviar ajuda a Cuba ocorre também em paralelo a outro foco de atrito com Washington. Na semana passada, Trump afirmou que os cartéis do narcotráfico “governam o México” e ameaçou agir militarmente contra grupos criminosos no país vizinho caso o governo mexicano não intensifique o combate ao tráfico.
A presidente mexicana respondeu que seu governo atua contra o narcotráfico e está aberto à cooperação com os Estados Unidos, desde que a soberania do México seja respeitada.
Autor: Gazeta do Povo








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