
A Reuters publicou nesta quinta-feira (15) uma reportagem apontando que a ordem para limitar na Ucrânia o Starshield, o serviço de nível militar irmão da rede de satélites de internet Starlink, partiu de dentro da Casa Branca.
A agência britânica citou como fontes duas autoridades dos EUA e uma autoridade de outro país do Ocidente.
Tais fontes afirmaram que lideranças do Departamento da Guerra da gestão Donald Trump receberam uma orientação para que o Starshield tivesse seu desempenho reduzido na Ucrânia.
As autoridades, que falaram sob condição de anonimato, não especificaram quem na Casa Branca tomou a decisão ou quem foi responsável por implementar a ordem.
Na quarta-feira (14), Serhiy Beskrestnov, assessor para tecnologia militar do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a SpaceX, do empresário Elon Musk, implementou restrições de velocidade para terminais Starlink em movimento ao pacote de serviço militar Starshield, estabelecendo um limite de velocidade de 160 km/h, o que teria comprometido ações militares na guerra contra a Rússia.
No mesmo dia, Musk respondeu que o Starshield é controlado pelo governo americano e quaisquer limites de velocidade ou uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última análise, por Trump.
À Reuters, uma autoridade de alto escalão dos EUA afirmou que “nenhum pedido nesse sentido foi feito pelo presidente”. A Casa Branca não respondeu quando questionada se outros integrantes do governo poderiam ter feito a solicitação.
Fontes do Ministério da Defesa ucraniano afirmaram à imprensa internacional que os serviços da Starshield foram restabelecidos totalmente na Ucrânia depois da reclamação de Kiev.
A reportagem é publicada em um momento de grande atrito entre Trump e Zelensky. Em entrevistas à imprensa britânica, o presidente da Ucrânia disse que retomaria os ataques às refinarias de petróleo da Rússia e afirmou se sentir traído pelo mandatário dos Estados Unidos.
Trump acusou a Ucrânia de elevar os preços do diesel ao atacar refinarias russas na guerra entre os dois países europeus.
No fim de semana, o presidente americano anunciou um cessar-fogo nos ataques a infraestruturas de energia dos dois lados, mas a Rússia seguiu atacando essas unidades, enquanto a Ucrânia disse estar respeitando a trégua.
Um anúncio feito por Trump na sexta-feira passada (9), de que fechou um acordo para comprar diesel russo, foi criticado por Zelensky, o que levou o mandatário americano a afirmar que a Ucrânia precisa de outro presidente.
Eleições presidenciais deveriam ter ocorrido na Ucrânia em 2024, mas foram canceladas devido à Lei Marcial, que proíbe pleitos nacionais durante guerras.
Em resposta a Trump, Zelensky afirmou que a Ucrânia realizará eleições se houver uma trégua de 60 dias no conflito.
Autor: Gazeta do Povo








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