
Enquanto sindicatos denunciavam desmonte, militarização e privatização da educação, o Paraná ignorou o discurso esquerdista e disparou na liderança do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2025, alcançando o feito inédito do topo do ranking nas três etapas avaliadas – Ensino Médio, Anos Iniciais e Anos finais do Ensino Fundamental.
Os sindicalistas atacavam, em particular, o fato de 16% das duas mil escolas da rede pública terem adotado o modelo cívico-militar, iniciado nacionalmente no governo Bolsonaro e abandonado no terceiro mandato de Lula da Silva. Para os críticos, o programa iria instalar uma ideologia autoritária antidemocrática no ambiente de ensino. No entanto, o Paraná decidiu seguir com seu próprio projeto cívico-militar, chegando a 345 escolas com este perfil, que só é implementado após consulta por voto à comunidade. Atualmente, há 11 mil estudantes na fila por uma vaga nesses colégios paranaenses, que obtêm aprovação de 90% entre pais e professores.
Como regra geral, os colégios cívico-militares alcançam nota melhor do que as escolas convencionais nos exames de avaliação de desempenho dos alunos. Mesmo assim, a legalidade do programa paranaense é questionada no Supremo Tribunal Federal pelo PT, PCdoB e pelo PSOL, em uma ação que alega que o modelo impõe militarização precoce aos estudantes.
Sindicatos reclamam da “intensificação do trabalho” nos colégios paranaenses
Os sindicalistas inconformados com o modelo de educação que não despreza resultados e mérito, acusaram o governo de transformar a escola em um espaço de desempenho e controle. Dizem que há cobrança de metas inatingíveis, vigilância via plataformas, perda de autonomia dos professores, assédio moral e intensificação do trabalho. Sim, eles reclamam do trabalho mais intenso.
Também não agrada à militância de esquerda dos sindicatos o Programa Parceiro da Escola, um projeto-piloto que transferiu a gestão administrativa e operacional de algumas escolas estaduais para empresas privadas. Toda a parte pedagógica e de ensino segue com a secretaria de educação, mas atividades de manutenção predial, limpeza, segurança, merenda e apoio administrativo passam para empresas contratadas por credenciamento público, com base em capacidade técnica e histórico na área.
Quase 100 escolas participam hoje deste programa, que tem aprovação de 86% dos pais e responsáveis, com redução de aulas vagas, aumento da frequência escolar e maior rapidez para resolver problemas de manutenção e materiais de apoio.
Foco em recuperação da aprendizagem em português e matemática
Para chegar ao topo do Ideb, remando contra a maré dos sindicalistas, a secretaria de educação paranaense mapeou o que os alunos mais erravam nas avaliações dos últimos anos e concentrou esforços para melhorar esses quesitos. Em matemática, por exemplo, os estudantes aprenderam a calcular porcentagem com exemplos práticos da realidade; em português, o foco foi desenvolver a capacidade crítica para interpretar textos de opinião.
A APP-Sindicato criticou repetidamente o foco em resultados aferíveis, metas, controle e modelos que priorizam indicadores. Os dados do Ideb mostram o Paraná no topo exatamente nesses indicadores de qualidade e desempenho mensurável em todas as etapas.
O secretário de educação, Roni Miranda, ele mesmo um professor de carreira, não nega a cobrança de resultados dos professores, como ocorre em qualquer outra profissão.
Desempenho baixo leva à troca de diretores
Diferente da visão sindicalista, a meritocracia não é abominada. Cerca de 5% dos diretores, de 100 a 120 profissionais, são trocados a cada ano. Na avaliação de Miranda, são professores concursados que podem ser excelentes professores, mas talvez não tenham vocação para gestão. Um diretor ruim, diz ele, pode comprometer as perspectivas de até 600 estudantes; assim, cobrar resultado é uma forma de proteger o futuro desses adolescentes.
Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo para comentar os resultados do Ideb, o secretário Roni Miranda resumiu a dificuldade que é remar contra a maré, num ambiente altamente ideologizado e avesso à meritocracia: “Sou o único professor de história que não é de esquerda”.
Autor: Gazeta do Povo








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