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Pep Guardiola, melhor técnico da história, desempregado – 27/05/2026 – Marcelo Bechler

Pep Guardiola despediu-se no último final de semana do Manchester City. Passou uma década na Inglaterra, conquistou 20 títulos e, mais uma vez, mudou o futebol. O legado para seu clube será uma nova sala de troféus. Eram 25 taças em mais de 130 anos, sendo sete da segunda divisão. Com Pep vieram seis Premier Leagues, uma Liga dos Campeões, Mundial e uma diversidade de copas e supercopas.

O treinador catalão fez um clube tradicional, mas sem histórico de dominância, tornar-se um super vencedor. Para o restante do mundo do futebol, Pep mais uma vez gerou um grande impacto, influenciando a forma de atacar e de defender de todo o planeta. Essa é a grande virtude que o diferencia dos demais.

Ainda que Carlo Ancelotti tenha mais títulos, em diferentes países, ou que Alex Ferguson tenha passado mais de 20 anos à frente do Manchester United, ou que Zidane tenha vencido três Ligas dos Campeões seguidas com o Real Madrid, nenhum deles teve o impacto para influenciar o jogo que Guardiola consegue imprimir. Desde seu primeiro trabalho no Barcelona, potencializando o “tiki-taka”, que aprendeu como jogador na era de Johan Cruyff à frente do clube.

Com o passar do tempo, ao redor do mundo, os times começaram a querer ter zagueiros que sabiam sair jogando, goleiros bons com os pés, falso 9 e outros elementos inventados ou ressignificados por Pep.

Hoje falamos em “jogo de posição” para descrever esse futebol de passes, posições bem definidas e precisão de movimentos dos jogadores em cada setor do campo. Com a “escola Guardiola” veio também a contraescola. Desde o futebol superdefensivo de José Mourinho no início da década 2010 até a superpressão e intensidade de Jürgen Klopp no Liverpool no final da mesma década.

Seja na Inglaterra, seja na Espanha, seja no Brasil, os times passaram a copiar uma ou outra forma de jogar e são justas as críticas de que todos os times do mundo jogam igual e que o futebol se tornou algo padronizado e mecânico.

Essas críticas só não são justas com o próprio Guardiola. Ele não fez o goleiro do seu time sair jogando errado e gerar uma derrota na 14ª rodada do Brasilierão. Ele não fez com que os campeonatos Belga, Japonês ou dos EUA parecessem iguais, cheios de times tocando a bola de um lado para o outro.

Pep só treinou três times. Ele só pode ser “culpado” pela forma de jogar do Barcelona, do Bayern ou do Manchester City. Todo o resto é a consequência gerada pelo técnico que mais revolucionou o futebol em pelo menos 50 anos. Por que os times de Ancelotti, Ferguson ou Zidane não foram copiados? Porque o “como” importa no futebol. Guardiola ganhou e perdeu, mas sempre mostrou ao mundo qual seria o próximo passo do esporte.

Na semana passada, o técnico Luís Enrique, do PSG —também formado como jogador do Barcelona e depois treinador do clube—, disse que um dia Guardiola vai posicionar os zagueiros em cima do travessão e todos os técnicos vão começar a copiá-lo, porque ele provavelmente estará certo.

Em sua etapa no Manchester City, Pep fez seu time jogar com quatro zagueiros, utilizando um deles como meio-campista. Jogou sem atacantes. Jogou com quatro atacantes. Elogiou Haaland em jogos em que o norueguês tocou na bola 20 vezes enquanto seus companheiros trocaram 720 passes.

Guardiola voltará a trabalhar em breve. Talvez em uma seleção nacional. E a dúvida que eu tenho é qual será o próximo passo que o futebol dará. Provavelmente ele é quem nos dirá.


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Autor: Folha

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