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Preço do whey protein sobe 90% em 1 ano; veja alternativas – 27/05/2026 – Equilíbrio

Dados publicados pela consultoria StoneX apontam que o preço do whey protein subiu quase 90% no último ano, segundo a agência de notícias Reuters. Com o aumento, a tonelada do suplemento com concentração de 80% de proteína passou a custar 20 mil euros (cerca de R$ 118 mil) no início de maio.

O aumento da conscientização em saúde e o envelhecimento da população podem ter influenciado a alta, mas especialistas afirmam que a popularização do uso de medicamentos agonistas do GLP-1, as chamadas canetas emegrecedoras, é um elemento-chave por trás do aumento da demanda por proteína.

Alberto Moretto, sócio-diretor do Grupo Supley, afirma que o consumo de whey protein vem crescendo no mundo todo por causa do impacto do uso de emagrecedores e da necessidade de maior aporte nutricional de proteína para os pacientes. “Além disso, o whey tem como matéria-prima o soro do leite, o que envolve uma cadeia produtiva bastante complexa e acaba refletindo no preço final”, afirma.

Um dos efeitos do uso desses medicamentos é a redução do apetite. Segundo especialistas ouvidas pela Folha, alguns usuários passam a comer menos e podem ter mais dificuldade para atingir a meta diária de proteína, o que aumenta o risco de perda de massa magra durante o emagrecimento.

“O aumento da ingestão proteica ajuda a preservar massa muscular, melhora a saciedade, favorece a recuperação muscular e reduz o risco de sarcopenia”, diz Marcella Garcez, diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). “Estudos recentes mostram que a preservação da massa magra é um dos principais desafios durante o uso dessas medicações.”

De acordo com a nutricionista Cida Mariosa, as sociedades médicas e de nutrição recomendam que pacientes em tratamento com GLP-1 consumam, por dia, entre 1,2 g e 1,6 g de proteína por quilo de peso corporal ideal. Essa necessidade varia consideravelmente conforme o perfil do paciente: pessoas acima dos 60 anos devem consumir de 1,5 g a 1,8 g por quilo; praticantes de exercício físico, entre 1,6 g e 2 g por quilo; e sedentários, de 1 g a 1,2 g por quilo.

Além da indicação para pessoas que usam remédios para emagrecer, o suplemento costuma ser recomendado em situações em que a alimentação sozinha não consegue suprir a necessidade proteica, como idosos, pacientes pós-bariátrica, atletas e pessoas hospoitalizadas ou com sarcopenia, afirma Garcez.

A nutróloga afirma que há também um componente mercadológico e de “modismo”.

“O problema é que parte do mercado transformou proteína em sinônimo automático de saúde, o que pode levar ao consumo excessivo e desnecessário“, diz. “Muitas vezes, o básico bem feito, alimentação equilibrada, exercício resistido [musculação] e distribuição adequada de proteínas já é suficiente.”

A médica afirma ainda que o excesso de proteína pode causar desconfortos gastrointestinais e constipação. Também pode causar aumento de ureia e sobrecarga renal em pessoas predispostas ou com doença renal pré-existente. Sinais de exagero incluem desconforto abdominal, náuseas, distensão, sede excessiva, piora da função renal em pacientes suscetíveis e substituição inadequada de fibras, frutas e vegetais por suplementos hiperproteicos.

Como substituir o whey por outras fontes de proteína

Mariosa ressalta que a alimentação saudável deve ser sempre prioridade. Como alternativa ao consumo de whey protein ela sugere ovos, peito de frango, iogurte grego, atum, sardinha, queijo cottage, ricota, lentilha e grão-de-bico. Segundo a nutricionista, começar o prato pela proteína é uma boa estratégia para garantir que a meta seja batida antes de eventual saciedade precoce.

Garcez complementa que a orientação é distribuir o consumo de proteína ao longo do dia, em todas as refeições, para preservar massa muscular e melhorar a saciedade.

No café da manhã, é possível aumentar a quantidade de proteína com ovos, iogurte natural, queijo cottage e leite. No almoço e no jantar, priorizar uma boa fonte proteica associada a vegetais e fibras ajuda no controle da saciedade.

Para lanches, iogurte, kefir, queijo, ovos cozidos e pastas à base de grão-de-bico ou atum podem ser opções práticas. “Combinações vegetais tradicionais, como arroz e feijão, também apresentam boa qualidade aminoacídica quando consumidas juntas”, diz.

Autor: Folha

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