A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual Márcio Canella (União-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, durante a deflagração da oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação investiga o envolvimento de agentes públicos com o crime organizado.
Segundo a PF, o grupo investigado teria utilizado postos de combustíveis para lavar dinheiro do tráfico de drogas com a participação de agentes públicos e articulação política. A corporação apura uma movimentação de R$ 7,6 bilhões em 96 estabelecimentos ao longo de seis anos.
“Com o objetivo de desarticular organização criminosa armada suspeita de utilizar de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro. O grupo investigado conta com a participação de agentes públicos e articulação político-institucional”, afirmou a autoridade policial em um comunicado.
As defesas de Canella e Amim informaram que não vão se pronunciar até terem acesso aos autos.
VEJA TAMBÉM:
-

Flávio Bolsonaro promete guerra ao tráfico e prosperidade por 40 anos
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como desdobramento de uma investigação que já havia atingido Canella e Amim no mês de julho. Também foram detidos quatro inspetores da Polícia Civil fluminense e mandados de busca foram cumpridos na residência de um delegado.
Ao todo, Moraes autorizou seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em municípios como Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. O ministro também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, a maioria ligada ao setor de combustíveis.
“Márcio Canella exercia função de elevada relevância dentro da estrutura criminosa investigada, atuando como principal articulador político da organização e elo entre o núcleo empresarial responsável pela exploração da rede de postos de combustíveis, agentes públicos e demais integrantes da associação criminosa”, escreveu Moraes na decisão tornada pública no meio da manhã.
Alexandre de Moraes ressaltou, ainda, que Canella utilizava sua influência política para viabilizar a ocupação de cargos estratégicos na administração pública por pessoas alinhadas aos interesses do grupo, “conferindo-lhe proteção institucional e capacidade de influência sobre órgãos estatais”.
Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
As fases anteriores da Unha e Carne atingiram políticos, empresários e integrantes do Judiciário e das forças de segurança. Entre os investigados estão o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, em apurações relacionadas a suspeitas de vazamento de informações sigilosas e proteção a integrantes do crime organizado.
A PF informou que a investigação também está relacionada a determinações do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que prevê medidas para apurar relações entre agentes públicos e facções criminosas.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












