
Após o recente vandalismo no famoso santuário mariano de Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, as autoridades prenderam o suposto autor, Bartłomiej Włodzimierz Krakowiak, um polonês de 31 anos com um passado conturbado.
Krakowiak foi detido na aldeia de Cerno, perto de Ljubuški, logo após o incidente em 28 de julho. Um homem local, Ivan Vučić, o reconheceu e o deteve antes de entregá-lo às autoridades. As autoridades judiciais bósnias o acusaram de danificar ou destruir propriedade religiosa. Ele pode enfrentar uma pena de prisão que varia de seis meses a cinco anos.
Uma audiência foi realizada em 30 de julho, na qual a promotoria propôs ordenar que o acusado fosse mantido em prisão preventiva “devido ao risco de que ele possa fugir ou repetir a ofensa”, de acordo com o veículo local Avaz.
O promotor relatou que Krakowiak “não demonstrou remorso durante o interrogatório” e declarou que, através dos ataques, ele buscou demonstrar “que as visões são uma fraude e que tudo é uma fabricação”. O cidadão polonês recusou representação legal durante a audiência e, segundo a mídia local, disse que queria permanecer na prisão.
“Bartek”, um diminutivo comum de seu nome na Polônia, tem sua própria história de conversão em Medjugorje, que ele relatou em um filme lançado em 2024: “Called 2”, produzido pela Fundação Powołany Film.
Compartilhando seu testemunho no filme, Krakowiak recordou vir “de uma família com histórico de alcoolismo”, uma doença que afligiu seu bisavô, seu avô e seu pai. “Por causa disso, desde muito jovem, eu achava que era normal”, observou.
Seu pai era “muito agressivo” e abusava dele. Ele começou a se sentir “mais à vontade” nas ruas, então começou a fugir de casa. Em meio a um ambiente de pobreza e privação de todos os tipos, as surras de seu pai pioraram, até que eventualmente sua mãe decidiu se mudar.
“Eu também me tornei uma pessoa muito peculiar porque descarregava toda a raiva que carregava dentro de mim nos outros. Eu queria que as pessoas sofressem tanto quanto eu”, disse Krakowiak.
Aos 18 anos, ele conheceu uma garota que logo engravidou. Krakowiak disse que essa gravidez o fez sentir “amor incondicional pela primeira vez”, marcando um ponto de virada em sua vida. Infelizmente, sua namorada sofreu um aborto espontâneo no sexto mês.
“Foi quando percebi que o que meu pai havia dito — que eu não merecia amor, que nunca alcançaria nada, que eu não valia nada — era verdade. Foi quando afundei ainda mais no alcoolismo, nas drogas e na violência”, comentou.
Em meio ao desespero e ao ressentimento em relação a Deus e sua família, Krakowiak decidiu tirar a própria vida: “Eu estava profundamente endividado e sofrendo de depressão e ansiedade. Eu sabia que ia fazer isso naquele dia, e me lembro do momento em que abri a janela e o medo me deixou”.
Parado na janela, não mais com medo do sofrimento que deixaria para trás após sua morte, Krakowiak recebeu uma notificação em seu telefone: Um rapper havia lançado uma nova música intitulada “Eu Estou Com Você”.
A música era sobre o amor de Jesus Cristo e sua proximidade durante os momentos de maior dificuldade. “Que eu superaria isso, que ele me ama, luta por mim e me deseja. Foi uma experiência tão poderosa — tão poderosa para mim — que fechei a janela, e uma grande esperança simplesmente encheu meu coração de que algo mudaria”, recordou Krakowiak.
Depois, tendo se entregado à vontade de Deus, pedindo apenas para ser feliz, ele ouviu a palavra “Medjugorje” profundamente dentro de si, embora não pudesse descrever exatamente como. Ele então entendeu que “tinha que ir lá” e que, através dessa jornada, Deus transformaria sua vida. Sem demora, ele começou a se preparar para a viagem de mais de 1.300 quilômetros.
“Durante esta viagem, experimentei uma presença poderosa de Deus. Eu simplesmente senti sua presença física, que ele estava comigo. Durante esse tempo, milagres extraordinários ocorreram em minha vida, e vi coisas que nunca havia visto antes”, disse.
“Lembro-me de passar pela placa de Medjugorje e, pela primeira vez na minha vida, sentir orgulho de mim mesmo. Pela primeira vez na minha vida, me senti orgulhoso de quem eu era e do que eu era. E embora ainda tivesse muito a processar e experimentar, simplesmente vim a conhecer o Deus vivo, o Cristo vivo, que existe e que ressuscitou dos mortos”, acrescentou.
Depois de retornar de Medjugorje, ele se dedicou “a evangelizar, servir e aproximar as pessoas de Deus”, esforçando-se para mostrar a elas que “ele as ama, luta por elas e que há esperança”. Na época da estreia do filme, Krakowiak declarou que estava casado há cinco anos e era pai há três.
O santuário de Medjugorje informou em 28 de julho que a estátua de Nossa Senhora que foi vandalizada na colina das supostas aparições já foi completamente restaurada, graças ao trabalho da comunidade paroquial e membros da Comunidade Cenacolo.
Além disso, o altar externo da Paróquia de São Tiago Apóstolo também foi restaurado e as atividades no santuário foram retomadas.
“O santuário permanece aberto a todos os peregrinos. O programa de oração está ocorrendo regularmente, e todos os espaços estão sendo rapidamente limpos e preparados para que possam novamente ser um lugar de oração e encontro com o Senhor através da intercessão da Rainha da Paz”, informou o escritório paroquial em um comunicado.
“De maneira especial, convidamos todos os fiéis a responder a este evento da maneira que Nossa Senhora tem nos ensinado há mais de 40 anos em Medjugorje: com oração, jejum e perdão”, declarou a paróquia.
O Vaticano aprovou a “experiência espiritual” que ocorre em Medjugorje, sem reconhecer a natureza sobrenatural das supostas aparições.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Bartek Krakowiak: From professed convert to troubled vandal at Medjugorje
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












