segunda-feira, agosto 10, 2026
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Por que a Colômbia e a Venezuela foram alvos de terremotos

A Colômbia foi alvo nesta segunda-feira (10) de um terremoto de magnitude 7,4 que provocou mortes, destruição e danos em diferentes regiões do país. O tremor teve epicentro no departamento de Chocó, no noroeste colombiano, e ocorreu a cerca de 100 quilômetros de profundidade. Segundo balanço mais recente divulgado pelo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, ao menos 111 pessoas morreram devido ao tremor até agora.

O desastre ocorreu menos de dois meses depois de a Venezuela também ser atingida por dois fortes terremotos, também de magnitude superior a 7, que deixaram mais de 6 mil mortos. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que tanto a Venezuela quanto a Colômbia estão localizadas em regiões de intensa atividade geológica, próximas aos limites de grandes placas tectônicas. Essa característica torna os dois países mais sujeitos a terremotos, inclusive de grande magnitude, embora os tremores registrados na Venezuela e na Colômbia tenham ocorrido por mecanismos diferentes e não haja indícios de que um evento tenha provocado o outro.

Segundo os analistas, na Colômbia, o terremoto registrado nesta segunda está relacionado ao encontro da placa de Nazca, localizada no oceano Pacífico, com a placa Sul-Americana. A placa de Nazca avançou em direção ao continente e mergulhou sob a placa Sul-Americana, em um processo descrito pelos especialistas como subducção. Já na Venezuela, os terremotos estão associados principalmente ao movimento entre as placas do Caribe e Sul-Americana.

José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explicou à Gazeta do Povo que o norte e o oeste da América do Sul, onde estão Colômbia e Venezuela, ficam em áreas de contato entre grandes placas tectônicas, uma condição que favorece uma atividade sísmica mais intensa e a ocorrência de terremotos de maior magnitude. De acordo com o sismólogo, a parte oeste do continente sul-americano está em contato com a placa de Nazca, enquanto ao norte ocorre o encontro com a placa do Caribe. Nessas regiões, o movimento e o atrito entre as placas acumulam tensões que podem ser liberadas na forma de terremotos.