O SUS (Sistema Único de Saúde) passou a contar com uma central de comando para monitorar UTIs (unidades de terapia intensiva) à distância. A plataforma acompanha 60 leitos em seis capitais, 24 horas por dia, e pode alertar as equipes quando há sinais de piora dos pacientes.
A central fica no Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), na zona oeste de São Paulo. Nesta primeira fase, integra UTIs de hospitais públicos de Manaus, Recife, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
O projeto, que vem funcionando desde o fim de julho, foi apresentado nesta quinta-feira (3) em visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do projeto, Ludhmila Abrahão Hajjar.
A equipe da central acompanha indicadores definidos previamente e quando identifica uma alteração que merece atenção, checa outros dados do paciente e aciona os profissionais da UTI de origem, por telefone ou videoconferência. A decisão sobre a conduta permanece com quem está à beira do leito.
Numa mesma plataforma são reunidos dados de equipamentos de diferentes fabricantes —monitores cardíacos, ventiladores mecânicos e bombas de infusão. É possível visualizar pressão arterial, oximetria, frequência cardíaca, eletrocardiograma, parâmetros da ventilação mecânica e os medicamentos administrados.
Para Hajjar, a central funciona como uma camada adicional de monitoramento. A pressão arterial é um exemplo. Antes de um paciente entrar em choque circulatório, alterações na curva de pressão podem indicar que o quadro se deteriora —um padrão que o sistema pode identificar e levar à avaliação da equipe.
Na ventilação mecânica, mudanças na respiração ou nos parâmetros do aparelho podem sinalizar risco de lesão pulmonar. Ao reunir os equipamentos, a plataforma permite analisar esses sinais em conjunto, e não apenas os alarmes disparados por cada máquina isoladamente.
A expectativa é que, com o acúmulo de dados das UTIs, seja possível usar inteligência artificial para identificar padrões associados à piora dos pacientes. As informações serão padronizadas e anonimizadas para definir quais alterações devem gerar alerta e quais casos precisam ser discutidos pelas equipes, de modo a antecipar complicações.
Segundo o Ministério da Saúde, o monitoramento mais de perto e conectado com profissionais da USP deve reduzir complicações e o tempo de internação, o que aumentaria a rotatividade dos leitos e ampliaria o acesso ao SUS.
Segundo Padilha, o projeto deve ser ampliado aos poucos. A previsão é chegar a 280 leitos integrados até o fim deste ano e a 1.000 no ano seguinte. Curitiba, Salvador, Fortaleza, Belém e Dourados, em Mato Grosso do Sul, estão entre as cidades previstas, ainda sem data para instalação.
As unidades participantes são o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz (Manaus); o Hospital Universitário de Brasília; o Hospital das Clínicas da UFMG (Belo Horizonte); o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Recife); o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Rio); e o Hospital Nossa Senhora da Conceição (Porto Alegre).
Padilha nega demolição de prédios do Adolfo Lutz e detalha projeto do Hospital Inteligente
Durante o evento nesta quinta-feira, o ministro Alexandre Padilha negou que o primeiro Hospital Inteligente do Brasil, que deve ser construído no complexo do Hospital das Clínicas, preveja a demolição de prédios históricos do Instituto Adolfo Lutz, na zona oeste de São Paulo. A Central de Comando das UTIs será conectada ao hospital, que está previsto para inaugurar em 2029.
Segundo ele, o terreno destinado ao ITE (Instituto Tecnológico de Emergência) é o prédio administrativo hoje ocupado pela Secretaria Estadual da Saúde, próximo ao Hospital das Clínicas. A área foi indicada pelo governo paulista no acordo firmado entre o ministério, o Estado de São Paulo e a USP.
“Não tem qualquer proposta de derrubar prédio histórico tombado do Instituto Adolfo Lutz. Em nenhum momento houve qualquer discussão em relação a isso”, afirmou.
A declaração vem após reportagem da Folha, em junho, mostrar que pesquisadores do instituto e entidades como a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) e a Associação de Docentes da USP (Adusp) temiam a demolição das instalações para dar lugar ao novo hospital.
À época, a Secretaria Estadual da Saúde disse que ainda não havia definido o local e que analisava alternativas. O Ministério da Saúde afirmou que o projeto não previa a derrubada de prédios históricos, mas que a definição e a cessão do terreno cabiam ao governo paulista.
Agora, Padilha diz que a área indicada pelo estado é a estrutura administrativa da secretaria, que fica no complexo do Hospital das Clínicas da USP. Ele ponderou, no entanto, que o projeto básico e os projetos de engenharia ainda serão elaborados.
O ITMI (Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil), organização social responsável pela execução do hospital, deverá apresentar a documentação.
Autor: Folha








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