Neste sábado (31), novos protestos foram registrados em todo o país. Como mostrou a Gazeta do Povo, a esquerda radical havia convocado manifestações para esse fim de semana. A adesão, contudo, foi menor que na semana anterior.
Segundo um balanço provisório do Ministério do Interior divulgado até às 18h (horário local, 13h de Brasília), ao menos 296 pessoas foram presas e dez agentes de segurança ficaram feridos. Não foram divulgados balanços de manifestantes feridos.
De acordo com a Agência EFE, mesmo que provisórios, os números registram uma queda no número de prisões na comparação com a semana anterior. No último sábado (24), às 20h (horário local), já havia um total de mil prisões. Ao todo, foram presas cerca de 2,4 mil pessoas no fim de semana passado.
As forças de segurança francesas, contudo, seguem em alerta durante a madrugada. Circulam nas redes sociais convocações para protestos sem autorização e para atos de violência aproveitando a noite de Halloween.
Ao longo da semana, o governo francês acusou a esquerda radical do país de incentivar as manifestações e insuflar a violência. Para conter a violência, organizou um esquema envolvendo cerca de 70 mil agentes de segurança para este fim de semana.
Organizações estudantis convocam novos bloqueios
Também neste sábado, organizações estudantis da França convocaram neste sábado (31) novos bloqueios em universidades e escolas de ensino médio em todo o país a partir de terça-feira (3).
As manifestações tiveram início em setembro na região de Paris e, em outubro, passaram a registrar ondas de violência com incêndios em escolas, ataques a policiais, depredações e saques contra estabelecimentos comerciais.
Segundo a EFE, após o fim das duas semanas de férias de outono, os líderes estudantis convocaram as ações para obrigar o governo, que acusam de tentar dividi-los, a ceder a todas as suas reivindicações. Na quinta-feira (5), a convocação é para que as organizações estudantis se juntem à mobilização e à greve convocadas pelos sindicatos.
“Vemos que este governo organiza o caos”, afirmou a porta-voz da União Estudantil, Sabrine Kharbach. Segundo ela, o governo de Emmanuel Macron tenta “desorganizar” os protestos.
O governo aproveitou o período das férias para divulgar mensagens a favor de um retorno tranquilo às aulas na próxima segunda-feira (2). O ministro da Educação, Édouard Geffray, escreveu uma carta aberta aos estudantes expressando sua “profunda confiança” neles e defendendo as medidas anunciadas nesta semana para responder às reivindicações.
Entre as principais propostas do governo, consta limitar a 28 o número de alunos por turma no segundo ano do ensino médio em metade das escolas menos favorecidas, a partir de setembro de 2027. A medida é um primeiro passo até sua ampliação a todos os centros de ensino em 2028. Também está prevista a contratação de professores.
O ministro também anunciou modificações ainda neste ano letivo no Parcoursup, a criticada plataforma de admissão ao ensino superior, que será substituída em 2028. O governo também estudará mudanças nos horários escolares, nas pausas para alimentação e nas condições de transporte, além de revisar o sistema de avaliação contínua do ensino médio.
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Segundo cálculos da União Nacional dos Estudantes da França (Unef), o governo teria que colocar sobre a mesa cerca de “10 bilhões de euros”, o valor que a organização calcula ser necessário para atender às exigências estudantis. Os recursos seriam destinados, entre outros objetivos, à criação de 250 mil vagas no ensino superior, à contratação de mais professores e à reforma das escolas.
Apesar dos apelos do governo Macron, a União Sindical dos Estudantes do Ensino Médio (USL), que esteve à frente dos bloqueios nas últimas semanas, espera uma retomada “maciça” dos protestos a partir de segunda-feira. A adesão ao movimento servirá de termômetro para medir a sua força após as férias e os anúncios governamentais.
Pesquisa da Odoxa-Backbone Consulting para o jornal Le Figaro mostra que 64% dos franceses querem o fim das mobilizações de estudantes universitários e do ensino médio, refletindo uma mudança na opinião pública. Segundo pesquisas anteriores, mais de seis em cada dez franceses apoiavam o movimento dos estudantes secundaristas.
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Autor: Gazeta do Povo









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