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Restaurante visitado por Castro foi pioneiro a viralizar – 28/05/2026 – Comida

Cláudio Castro (PL) parece ter gostado da churrascaria do chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae —o ex-governador do Rio de Janeiro esteve duas vezes na unidade de Nova York, em jantares bancados por Daniel Vorcaro, segundo relatório da Polícia Federal.

Mas, em 2018, o então crítico de gastronomia do New York Times, Pete Wells, teve uma experiência pitoresca no estabelecimento, chamado Nusr-Et, um dos pioneiros entre os restaurantes ditos “instagramáveis”.

Gökçe ficou mundialmente conhecido como Salt Bae pela forma inusitada como despeja sal na carne. No dia da visita de Wells, porém, errou a mira e derrubou o condimento até nas calças do crítico.

“Na metade do jantar, meu colo estava salpicado de cristais brancos de sal que caíram da mão direita do próprio Salt Bae. Salt Bae não tinha a intenção de salgar minhas calças, até onde pude perceber. Ele estava mirando no rib-eye (bife ancho) na mesa à minha frente”, escreveu o jornalista na abertura da crítica.

Apesar das calças temperadas, Wells gostou de quase tudo que envolvia carne no restaurante.

Aprovou o steak tartare, elogiou a maciez do “bife espaguete” e ficou ainda mais impressionado com o lokum, manjar turco de filé-mignon em fatias finas, que derreteu na boca do crítico. “Geralmente prefiro carne que me dê algo para mastigar, mas fiquei feliz em ser apresentado ao lokum.”

A carne do cheeseburger, segundo Wells, “transbordava sabor”.

As entradas e os acompanhamentos, porém, variaram entre corretas e péssimas, na avaliação do crítico.

Wells considerou as saladas “agradáveis, embora pouco notáveis”. O pão do cheeseburger “poderia estar mais fresco”, e o acompanhamento de batata palha lhe pareceu “dispensável”. A maior decepção foi o purê de batatas: “Estava horrível.”

No auge da refeição, Salt Bae em pessoa surgiu à mesa para temperar a estrela da noite, o filé otomano, que à época custava US$ 130 (mais de R$ 650 na cotação atual).

Wells fez algumas restrições, mas elogiou a carne mais uma vez. “Estava malpassada em alguns pedaços e ao ponto para mal em outros, mas, tirando isso, estava formidável.”

O que mais chamou a atenção de Wells, além dos cortes bovinos, foi o peso da dinâmica das redes sociais na experiência, algo que só se intensificou de 2018 para cá.

“Alguns anos atrás, os restaurantes ainda eram um refúgio da rede eletrônica, lugares onde podíamos comer e conversar sem converter a existência em formato digital. As câmeras de celular mudaram isso, e agora muitas vezes parece que o objetivo de sair para comer é postar uma imagem digital provando que estivemos lá.”

Isso incluiu um dos convidados do crítico, que não resistiu ao impulso de registrar a performance de Salt Bae em vídeo.

“Em sua circularidade perfeita, sua pura subordinação da experiência vivida à experiência mediada, o Nusr-Et pode ser o primeiro verdadeiro restaurante do século 21 de Nova York”, concluiu Wells.

Autor: Folha

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