
Senadores dos Estados Unidos tentam acelerar nesta semana a aprovação de um projeto que tornaria permanente a proibição à entrada de veículos da China no mercado americano. A movimentação ocorre durante a visita do líder chinês Xi Jinping a Washington para reuniões com o presidente Donald Trump.
A proposta é liderada pela senadora democrata Elissa Slotkin, de Michigan, e pelo republicano Bernie Moreno, de Ohio. Os dois pretendem tentar aprovar o texto por consentimento unânime no Senado ainda nesta semana, segundo a agência Reuters. O projeto já conta com o apoio de 51 senadores.
Batizado de Connected Vehicle Security Act of 2026, o projeto impediria a importação, venda e operação nos Estados Unidos de veículos fabricados na China e ampliaria as restrições sobre softwares, sistemas de dados e componentes de conectividade desenvolvidos por empresas da China. A proposta foi aprovada por unanimidade pela Comissão de Comércio do Senado em julho e agora aguarda análise do plenário.
Na prática, o Congresso pretende transformar em lei restrições que hoje dependem de uma regulamentação federal adotada em 2025. A norma bloqueia veículos e determinadas tecnologias de carros conectados ligados à China e à Rússia sob o argumento de que esses sistemas poderiam coletar informações de motoristas e dados considerados sensíveis nos Estados Unidos.
Ao virar lei, a proibição ficaria mais difícil de ser modificada pela Casa Branca. Segundo a Reuters, o texto também impediria o governo americano de conceder exceções que permitissem a fabricantes chineses vender veículos no mercado americano.
A tentativa de acelerar a votação ganhou força depois de Trump afirmar neste mês que estaria disposto a aceitar que montadoras chinesas construíssem fábricas nos Estados Unidos. A declaração provocou reação de parlamentares e de representantes da indústria automobilística americana.
Na semana passada, seis associações que representam fabricantes como General Motors, Ford, Tesla, Toyota, Volkswagen, Hyundai e Stellantis pediram ao governo americano que mantenha as restrições contra empresas chinesas. Os grupos argumentam que a entrada dessas companhias poderia deslocar empregos e investimentos já realizados pela indústria nos Estados Unidos.
Slotkin também argumenta que a questão envolve segurança nacional. Segundo a senadora, veículos modernos podem coletar informações por meio de tecnologias como Bluetooth, Wi-Fi, conexão celular e sistemas de localização. A preocupação dos defensores da medida é que dados obtidos por carros de empresas chinesas possam ser enviados à China. Pequim rejeita as restrições americanas ao setor automobilístico.
A movimentação no Congresso ocorre enquanto Trump e Xi se encontram em Washington. Comércio e tecnologia estão entre os principais temas da visita do ditador chinês aos Estados Unidos.
Autor: Gazeta do Povo








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