
Dois funcionários do governo da Argentina informaram à agência Associated Press (AP) nesta quarta-feira (6) que o surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius, que provocou três mortes, pode ter começado após um casal holandês ter contraído o vírus durante uma observação de pássaros na cidade argentina de Ushuaia, antes de embarcar no cruzeiro.
Segundo a AP, os funcionários, que falaram sob condição de anonimato porque a investigação ainda está em andamento, disseram que o casal visitou um aterro durante o passeio e pode ter entrado em contato com roedores com o vírus.
Porém, as autoridades da província da Terra do Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul, da qual Ushuaia é capital, alegaram que não há registros recentes de hantavírus na região.
“O Ministério da Saúde da Terra do Fogo informou que não há circulação de hantavírus na província e que não foram registrados casos desde que a doença foi incorporada ao sistema de notificação obrigatória em 1996”, informou o jornal Diario Prensa, de Ushuaia.
O casal holandês está entre os mortos no surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius.
A companhia operadora do navio, Oceanwide Expeditions, confirmou nesta quinta-feira (7) que 30 passageiros que viajavam a bordo do navio desembarcaram na ilha de Santa Helena em 24 de abril, dias após a ocorrência da primeira morte a bordo pelo surto, e estão sendo rastreados para detectar se puderam ocorrer contágios adicionais.
“Esse número incluía o corpo do passageiro [holandês de 70 anos] que morreu a bordo do MV Hondius em 11 de abril”, considerado a primeira vítima fatal do surto após apresentar sintomas como febre, dor de cabeça e diarreia leve, informou a empresa em comunicado, segundo a agência EFE.
Entre os que desembarcaram também estava uma mulher holandesa de 69 anos, esposa do falecido e que morreu em 26 de abril em Joanesburgo, após pegar um voo para lá saindo de Santa Helena e tentar, sem sucesso, embarcar em outro avião rumo a Amsterdã.
O terceiro óbito relacionado ao surto foi o de uma passageira alemã, que morreu a bordo do cruzeiro em 2 de maio.
“Estamos trabalhando para obter os dados de todos os passageiros e da tripulação que embarcaram e desembarcaram nas diferentes escalas do navio MV Hondius desde 20 de março”, afirmou a operadora, acrescentando que continua em “cooperação estreita” com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as autoridades holandesas e as embaixadas dos países de origem dos passageiros.
Até o momento, não havia informações sobre essa parada realizada em Santa Helena por outros passageiros do navio além da mulher holandesa que acompanhava o corpo de seu marido.
A Suíça confirmou na quarta-feira um contágio no país que afeta um passageiro que viajou no cruzeiro e retornou à sua terra natal no final de abril, podendo ser um dos que desembarcaram em Santa Helena.
Aos oito casos confirmados como contágios ou suspeitos anunciados na quarta-feira pela OMS, somou-se hoje o de uma comissária de bordo holandesa que está hospitalizada em Amsterdã com sintomas leves, e que esteve em contato com a citada mulher de 69 anos quando esta tentou pegar um voo da KLM saindo de Joanesburgo.
Segundo informações do jornal espanhol La Provincia, o MV Hondius está navegando rumo a Tenerife, após deixar Cabo Verde, e deve chegar ao porto de Granadilla de Abona no domingo (10).
De acordo com o Ministério da Saúde da Espanha, os ocupantes com sintomas foram evacuados do navio, e apenas passageiros e tripulantes assintomáticos permanecem a bordo. Porém, um protocolo sanitário será ativado para avaliar os passageiros e organizar seu posterior traslado aos países de origem após a chegada a Tenerife.
Autor: Gazeta do Povo








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