A 2ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, nesta terça-feira (13), que julgará as contas de 2025 do Banco Central (BC) apenas após o julgamento do processo que avalia se a autoridade monetária falhou ou se omitiu na fiscalização do Banco Master, liquidado em novembro de 2025.
O caso está ligado a outro processo, que foca na tentativa de aquisição do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB).A estatal entrou no foco do caso Master durante as tratativas para a compra do banco de Daniel Vorcaro. Enquanto a operação ainda estava sob análise do Banco Central, a estatal comprou bilhões de reais em carteiras do Master que posteriormente passaram a ser investigadas como fraudulentas. O BC acabou barrando a aquisição do banco em setembro de 2025.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso em abril deste ano. Segundo a investigação, ele teria ignorado inconsistências apontadas nas carteiras e facilitado as transações em troca de propina na forma de imóveis de alto padrão. A defesa nega que ele tenha cometido crimes.
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Processo discute impacto do caso Master
O processo em questão discutirá ainda se a reclamação que levou o caso Master ao Supremo Tribunal Federal (STF) pode influenciar no resultado do julgamento das contas.
A controvérsia chegou ao Supremo, na verdade, por iniciativa do próprio Vorcaro. O banqueiro foi preso em 17 de novembro de 2025, por ordem do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, substituto da 10ª Vara Federal de Brasília.
Durante a busca e apreensão na sede do Master, os investigadores encontraram uma pasta com um termo de opção de compra de um imóvel. No registro à mão feito no local, mencionaram o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). O nome, no entanto, não apareceu na formalização do termo de apreensão.
A reclamação constitucional pedia que, diante da identificação de autoridade com foro privilegiado, o caso passasse à alçada do Supremo. Com o sorteio, o ministro Dias Toffoli virou o relator, mas deixou o caso após revelações de relações com Daniel Vorcaro. Assim, André Mendonça assumiu a relatoria.
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Histórico mostra alertas após Vorcaro assumir instituição financeira
O Banco Master remonta à Máxima Corretora, fundada em 1974. Em 2017, Saul Dutra Sabbá acertou a venda do controle do Banco Máxima a Daniel Vorcaro, que antes figurava como investidor minoritário. Até então, o empresário mineiro trabalhava em negócios imobiliários da família. Ele chegou a comandar a Multipar, grupo fundado por seu pai, Henrique Vorcaro, e participou de empreendimentos imobiliários e hoteleiros.
A transferência do controle foi inicialmente rejeitada em fevereiro de 2019 pelo BC, à época sob a gestão de Ilan Goldfajn. Oito meses depois, já sob a gestão de Roberto Campos Neto, a diretoria colegiada aprovou a transferência. Em 2021, o Banco Máxima passou a se chamar Banco Master.
A liquidação extrajudicial ocorreria seis anos após Vorcaro assumir. Há, porém, registros de alertas sobre suspeitas relacionadas às operações pelo menos desde 2020. Entre aquele ano e 2022, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fez quatro comunicações ao Banco Central sobre suspeitas relacionadas ao universo do Master.
Autor: Gazeta do Povo








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