
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar sobre a mesa a possibilidade de retomar as operações militares contra o regime do Irã após rejeitar a mais recente proposta de Teerã para encerrar a guerra em curso no Oriente Médio, atualmente sob cessar-fogo temporário.
Segundo informou nesta segunda-feira (11) a emissora americana CNN, assessores do governo Trump dizem que o presidente está mais disposto a considerar a retomada da ofensiva militar contra Teerã do que em semanas anteriores, diante do impasse envolvendo o bloqueio no Estreito de Ormuz e a falta de concessões iranianas nas negociações nucleares.
A mais recente contraproposta apresentada por Teerã nas negociações em curso para encerrar a guerra foi considerada por Trump como sendo “totalmente inaceitável”. Ela previa, segundo a imprensa estatal iraniana, o fim do bloqueio americano a embarcações ligadas a portos do Irã, a liberação de ativos congelados, o reconhecimento da “soberania” iraniana sobre o Estreito de Ormuz e o pagamento de indenização por danos causados durante o conflito.
Mais cedo, Trump já havia elevado o tom publicamente ao comentar a contraproposta iraniana. O presidente americano afirmou que o cessar-fogo temporário com o Irã estava “na UTI” depois de rejeitar o documento enviado por Teerã, que ele classificou como “estúpido” e “um lixo”. “Nem terminei de ler”, disse o presidente sobre o documento.
Os EUA querem que o Irã abra mão de seus estoques de urânio enriquecido e rejeitam qualquer controle iraniano sobre o Ormuz. A passagem marítima é um dos principais pontos de tensão da guerra, porque concentra parte relevante do fluxo global de petróleo e gás.
Segundo a CNN, há diferentes alas dentro do governo Trump sobre como responder ao impasse nas negociações. Uma parte dos assessores, incluindo autoridades do Pentágono, defende uma postura mais dura para pressionar Teerã, inclusive com ataques pontuais destinados a enfraquecer a posição iraniana na mesa de negociação.
Outra ala, porém, ainda sustenta que a diplomacia deve receber mais tempo. Esse grupo avalia que uma retomada ampla das operações militares poderia ampliar a guerra e reduzir as chances de um acordo capaz de reabrir Ormuz e conter o programa nuclear iraniano.
O papel do Paquistão, que atua como mediador nas conversas, também virou alvo de questionamentos dentro do governo americano. De acordo com a CNN, aliados de Trump querem que Islamabad seja mais direto ao transmitir aos iranianos a irritação do presidente americano com o andamento das negociações. Alguns integrantes do governo suspeitam que os mediadores paquistaneses estejam repassando a Washington uma leitura mais positiva da posição iraniana do que a realidade indicaria. A avaliação de parte da equipe de Trump é que Teerã precisa receber uma mensagem mais clara de que esta pode ser a última chance para avançar pela via diplomática.
Autor: Gazeta do Povo








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