Os casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) causados pelo VSR (vírus sincicial respiratório) caíram entre bebês de até seis meses depois que o SUS (Sistema Único de Saúde) passou a oferecer a vacina contra o VSR para gestantes, em dezembro do ano passado. O vírus é a principal causa de bronquiolite e de internações por doenças respiratórias em bebês.
Segundo dados do boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), foram registrados 14.677 casos nessa faixa etária até a 20ª semana epidemiológica (23 de maio), o menor número desde 2023. A queda é de 16,6% ante o mesmo período de 2025, quando houve 17.604 registros.
Aplicada na gestante a partir da 28ª semana de gravidez, a vacina protege o bebê por meio da transferência de anticorpos pela placenta, do nascimento até os seis meses de vida, intervalo em que os recém-nascidos correm maior risco de formas graves da doença.
A queda de casos graves aparece só nessa faixa etária. Entre crianças mais velhas, fora do alcance da proteção materna, os casos subiram até 23 de maio, na comparação com o mesmo período de 2025, e atingiram o maior patamar da série. Na faixa de 6 a 12 meses, passaram de 9.967 para 11.161 (alta de 12%); entre 1 e 2 anos, de 10.103 para 11.466 (13,5%); e entre 2 e 4 anos, de 8.597 para 10.121 (17,7%).
Esse contraste sustenta a relação entre a vacina e a queda de casos de bronquiolite entre bebês de até 6 meses, segundo Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe.
“Como essa tendência de redução das hospitalizações no grupo vacinado não foi observada no grupo não vacinado, é muito provável que essa diminuição seja decorrência da vacina”, afirma.
Os bebês de até seis meses costumam concentrar o maior volume de casos graves. Como as faixas mais velhas tiveram alta neste ano, seria de esperar aumento também entre os recém-nascidos.
Para as crianças que não são alcançadas pela vacina materna, as alternativas são limitadas. Segundo Tatiana, não há vacina contra o VSR voltada a crianças mais velhas.
O que o SUS oferece a parte desse público é o nirsevimabe, anticorpo de ação imediata contra o vírus. Ele é voltado para recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e para crianças de até 23 meses com comorbidades como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.
Diferentemente da vacina, que estimula o organismo a produzir a própria resposta ao longo do tempo, o nirsevimabe é um anticorpo pronto, que age logo após a aplicação.
O VSR é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por 40% dos registros de pneumonia em crianças menores de dois anos, segundo o Ministério da Saúde. Em 2025, o país registrou 120.176 casos de Srag por vírus respiratórios; desses, 43.946 (36,6%) foram causados pelo VSR, e 36.218 hospitalizações ocorreram em menores de dois anos.
Autor: Folha




















